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Isabella Carpaneda: a mulher de cem milhões de livros

Isabella Carpaneda: a mulher de cem milhões de livros
collaborated Rebeca Oliveira
photo Celso Junior e Hélio Perfeito

 Em três décadas dedicadas à literatura didática, Isabella Carpaneda acessa o imaginário infantil, e educa. Com duzentas publicações espalhadas por escolas País afora, ela celebra um grande momento: um livro com seu nome

A descida para o Eixão Norte timidamente ganhava tons âmbar e cor-de-rosa em uma ensolarada tarde. Embora a estação vigente fosse o inverno, fazia calor e o dia já ensaiava pintar-se de multicores, como acontece quando o relógio do brasiliense marca 18h.

A cena, retrato de um cotidiano simples, mas com ares de pintura, é o caminho percorrido para chegar até a imponente casa de Isabella Carpaneda na beira do Lago Paranoá. A vista encantadora que tem como destino final esse refúgio certamente serve como inspiração para a escritora, que recebe a reportagem com um sorriso que, de tão largo, invade até os olhos.

A felicidade nua e crua tem sido uma constante para Carpaneda, que já vendeu quase cem milhões de exemplares pelo País. Pudera.

Em julho, ela recebeu a notícia de que mais duas de suas coleções foram aprovadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), criado para avaliar e disponibilizar obras didáticas, pedagógicas e literárias às escolas de todo o País. Encontros e Isabella são os nomes dos livros que circularão para alunos do primeiro ao quinto ano nas redes pública e particular, respectivamente.

“O que temos que tratar nas publicações é o respeito ao ser humano. Falar sobre a valorização dos povos, das etnias”

Suor e sacrifício. Dois anos de trabalho resultaram nas mais de três mil páginas escritas – tempo gasto apenas para redigir as obras. O trabalho regresso é ainda maior e a missão é das mais árduas. Em casa, na biblioteca particular, mais de 20 mil livros ficam à espreita, vigilantes e a postos para o momento em que servirão como fonte de pesquisa e de estudo.

Especializada em Língua Portuguesa, Isabella começou a escrever obras didáticas aos 23 anos. Por acaso. Trabalhava em uma instituição de ensino particular quando algumas de suas folhas foram parar na FTD, editora brasileira criada em 1902.

Há quem chame de sorte – e quem, mais racional, entenda que se trata de competência. “Não sei como, mas meu material de folhas avulsas acabou chegando até eles. Perguntaram-me se eu teria interesse em fazer livros. Nunca mais parei. Porta de Papel, o primeiro, teve uma aceitação muito grande e até para minha surpresa, por ser de Brasília e a maioria dos autores oriundos de Rio de Janeiro e São Paulo. À época, vendemos sete milhões de cópias. Foi algo absolutamente inédito”, recorda.

“Há uma crise geral por conta da desvalorização do professor. É difícil encontrar profissões que pagam tão mal quanto essa”

Não pense que hoje, aos 56 anos, a mineira de Belo Horizonte se deu por satisfeita. Os recentes lançamentos provam o contrário e, para ela, o último livro é sempre o melhor. “O que me move é a vontade de construir uma obra ainda mais completa. É uma loucura. E um trabalho emenda no outro. Eu acabei essa coleção e a editora me pediu para reformular o Porta Aberta. Não é mudar uma ou duas páginas, mas quase refazer o livro. Começar é difícil, e não se pode fazer todos com o mesmo perfil, senão acabo concorrendo comigo mesma”, diz.

Um baú de ideias, Carpaneda ostenta mais de 200 livros publicados. Para isso, abre mão de hobbies, como ver filmes e viajar, confraternizar com as amigas ou ir às compras – Isabella é fã de marcas como Grifith e Dolce & Gabbana. Tudo pode esperar.

As obras com função didática são, atualmente, o principal ofício da educadora, que até 12 anos atrás também “batia ponto” na diretoria do Colégio Objetivo. Se, no início, elas seguiam um caminho tradicionalista, agora se adaptaram aos tempos modernos. A começar pela forma como são entregues.

“Este ano, houve uma mudança nos critérios do PNLD, que acontece de três em três anos. É necessária a produção de material digital. É um conteúdo extra, com outras atividades e leituras, que serão disponibilizados para professores de todo o País”, conta.

Mudou, também, a forma como os educadores estimulam a percepção dos alunos, sobretudo os que estão na primeira infância.

“Em um livro de primeiro ano, a criança começa lendo para entender a função social dos tipos e gêneros textuais: listas, receitas, bilhetes… Era impensável, há 40 anos, que isso acontecesse. Diriam que a criança não saberia ler aquilo. Mas não vemos a leitura da mesma forma. Leitura não é só o que ela consegue decifrar. A criança pode entrar em contato com histórias clássicas e tradicionais. Isso é um lugar comum atualmente, no entanto, no passado seria impensável. Os textos não tinham uma função prática”, relembra. A razão e por que dos avanços na sala de aula? Permitir que os alunos ganhem autonomia.

Outra transformação acontece no campo das ideias. Os livros de Isabella Carpaneda abraçam a diversidade. Estimulam o raciocínio e a criatividade ao mesmo tempo em que aguçam temas fundamentais ao coletivo. Não é uma característica forjada, mas valores que ela defende e ensina aos filhos, o cirurgião plástico Erick e a arquiteta Laísa, fruto do casamento com o médico Carlos Augusto Carpaneda. 

“O que temos que tratar nas publicações é o respeito ao ser humano. Falar sobre a valorização dos povos, das etnias. No livro, tenho uma seção só para trabalhar esses aspectos. No final de cada unidade, a depender do que foi tratado no capítulo, reservo um espaço para falar sobre temas humanitários. Somos obrigados a discutir esses assuntos com as crianças e isso é muito bom. É necessário falar, por exemplo, sobre o papel da mulher na sociedade”, comenta.

Não basta fisgar os novos leitores. Um olhar humanitário para toda a cadeia da educação engrossa a lista de habilidades de Isabella. “Há uma crise geral por conta da desvalorização do professor. Ele está ganhando muito pouco, é um desestímulo. É difícil encontrar profissões que pagam tão mal quanto essa. Há uma demanda grande de atualização e leitura. Ele teria que ganhar melhor para poder incorporar essas novidades. Falamos isso há anos, e a situação não muda. Precisamos de metas que independam de governo”, pondera.

No noticiário, as manchetes sobre educação preocupam. Segundo a mais recente pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 30% da população brasileira nunca comprou um livro. Em fevereiro, relatório inédito do Banco Mundial estimou que o Brasil irá demorar 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em leitura.

Esses são alguns dos buracos educacionais dos quais o País precisa se desvencilhar – uma tarefa que Carpaneda, mulher de coragem, assume para si. Para alguns, um milagre. Para ela, um desafio. Avante!





 





Calendário MetaFísicos 2019 se inspira na estética dos anos 1980

Calendário MetaFísicos 2019 se inspira na estética dos anos 1980
collaborated Redação
photo Cortesia

Em primeira mão, o GPS|Lifetime revela alguns cliques do badalado calendário. O lançamento acontece neste sábado, 15, no B Hotel, e tem como mestre de cerimônia a diretora de conteúdo do portal, Paula Santana

 

Neon trend! A clínica MetaFísicos apresenta hoje, 15, a edição 2019 do seu badalado calendário. Com exclusividade, o GPS|Lifetime mostra alguns cliques da produção. Ao todo, 23 pacientes do nutricionista Clayton Camargo posaram de acordo com o tema 'Neon'.

A temática revive a estética dos anos 1980, resgatando o ritmo frenético da ginástica de academia, com muita acrobacia, comum àquela época. Entre os musos e as musas desta edição estão o arquiteto Clay Rodrigues e o manager Bruno Mello

Para realizar o projeto, 37 participaram de todo o processo. Além dos modelos, 14 profissionais de backstage, como produtor, fotógrafo, cinegrafista, apoio logístico, pessoal de cabelo e maquiagem estiveram envolvidos. 

O time de estrelas de cada edição é escolhido dentre aqueles pacientes que superaram o desafio de emagrecer ao adotarem um estilo de vida saudável, com alimentação e exercícios físicos. Com o anuário, o nutricionista espera que os modelos se tornem fonte de inspiração para quem busca qualidade de vida.

O lançamento acontece neste sábado, 15, no B Hotel e tem como mestre de cerimônia a diretora de conteúdo do GPS|Lifetime, Paula Santana.

 

 




Leia também: MetaFísicos no ar: Clayton Camargos e Sérgio Morum falam sobre famoso "bumbum na nuca"

Uma febre nacional, o famoso "bumbum na nuca" é tema do segundo episódio de Metafísicos no ar, série desenvolvida por Clayton Camargos e o cirurgião plástico Sérgio Morum, sócios da clínica Metafísicos, em parceria com o videomaker Pedro Lino. O programa trata de saúde, exercícios e bem-estar e, esta semana, se debruça sobre a paixão das brasileiras (e, por quê não, os brasileiros).