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Instituto Doando Vida: como uma mãe ressignificou a maternidade

Instituto Doando Vida: como uma mãe ressignificou a maternidade
collaborated Roberta Pinheiro
photo Luara Baggi

Na história de Nossa Senhora da Rosa Mística, a Virgem teria aparecido pela primeira vez com três espadas cravadas no peito. Na segunda aparição, três rosas substituíram as espadas. No lugar da dor, nascia a beleza e a delicadeza da flor. Devota de Nossa Senhora, Luciana Studart Andrade se emociona ao contar o significado da imagem religiosa. Talvez porque, assim como a Virgem Maria, a arquiteta transformou o sofrimento em ação concreta de amor. Mãe de um casal, Rafaela e Alexandre, ela se doou para ser mãe de crianças desconhecidas e socialmente vulneráveis, ressignificando a vocação materna.      

"Ser mãe é completude", resume a arquiteta. Luciana chegou um estágio da vida que faltava algo. Casada e realizada profissionalmente, ela queria constituir ao lado do marido, Henrique, uma família maior. "Não acredito que você, como mulher, precisa formar uma família e ser mãe para se sentir completa. Contudo, no meu caso, meus filhos me completam e sempre quis isso", afirma. Depois de permanecer por três anos nos Estados Unidos, entre 1983 e 1986, para concluir o mestrado, Luciana e Henrique voltaram para Brasília e tiveram Rafaela. Dois anos depois, veio o caçula Alexandre.

É difícil pontuar uma recordação marcante. Todas os momentos ao lado dos filhos são maravilhosos. "Principalmente, lembro-me da infância deles em família", acrescenta a arquiteta. Problemas existem, mas em que família isso não acontece? A casa que acolhia os quatro foi se tornando cada vez maior - e cheia. "Os dois traziam os amigos e aos poucos cada um integrou a nossa família. E isso é maravilhoso", conta. A primeira luta de judô do Alexandre, a primeira apresentação de balé de Rafaela, os casamentos e as chegadas das netas - Clara e Branca - são memórias afetivas inesquecíveis. "Os dois acentuaram meu significado de ser mãe. Aprendi muito e eles me fizeram crescer", analisa Luciana.

Da dor ao amor

Em 2013, entretanto, um acidente de carro no Canadá marcou a família para sempre. Aos 26 anos, Rafaela morreu após o carro em que estava com o marido, Arthur, e a filha deles, Clara, de 2 anos, ser atingido por outro veículo em um cruzamento perto de Saskatoon, capital da Província de Saskatchewan. A jovem brasiliense não resistiu e faleceu na hora. Levada com vida ao hospital da cidade, a criança teve morte cerebral decretada pelos médicos um dia depois. Arthur teve ferimentos leves e sobreviveu.

Formada em Nutrição, Rafaela havia se mudado para o país norte-americano com a família para fazer um mestrado. Tanto ela quanto o marido tinham concluído o curso e estavam de malas prontas para voltar a Brasília. Entre tantos fatos marcantes e tantas lembranças, a perda da filha, sem dúvidas, foi algo que mexeu com todos os sentidos de Luciana. Sempre alto astral e sorridente, a lágrima vem de imediato ao tocar nessa recordação. Nas palavras da mãe, o amor faz com que ela sempre sinta o cheiro da filha e da neta, ouça a gargalhada das duas e sonhe com um abraço.

O amor também fez com que a arquiteta passasse pelo luto e transformasse aquela dor em ação concreta de solidariedade, carinho e dedicação ao próximo. A filha, Rafaela, não só externalizava a vontade de ajudar crianças em situação de vulnerabilidade, como deixou isso escrito em vários lugares. "Faz diferença na sua vida. Não é a presença física que define. Não pude impedir que ela partisse, mas, como mãe e pai, os sonhos dos filhos são nossos e isso não muda. Nós fazemos acontecer", comenta Luciana. Com o apoio e todo o suporte da família e dos amigos, os mesmos que Rafaela e Alexandre levaram para casa, os desejos da filha começaram a ganhar corpo.

Em 2014, em parceria com o Hemocentro de Brasília, nascia a campanha Doando vida em nome de um amor eterno - Rafa e Clara. A ideia surgiu porque a menina Clarinha, como é chamada pela avó, não faleceu de imediato. Ela precisou passar por cirurgias e por transfusões de sangue. "Sentimos na pele toda a dificuldade da doação de sangue e, logo em seguida, começou um questionamento lá no Canadá sobre a doação de órgãos, já que a Clara estava com morte cerebral”, conta Luciana. A menina doou os dois rins, um para cada criança. “À época, isso foi um feito inédito, já que fazia cinco anos que ninguém doava um órgão em Saskatchewan", acrescenta a avó. Na primeira ação, eles conseguiram mais de 200 doações de sangue e encheram dois caminhões de doações diversas, como roupas, alimentos e brinquedos.

Apesar da alegria dos resultados, ainda era preciso canalizar o sofrimento e concretizar outro sonho. A família construiu uma creche na Estrutural, próximo ao que era o maior lixão da América Latina. "Eram muitos filhos. Atendemos 48 crianças e o sorriso de cada uma delas era o sorriso da Clara", relata Luciana. Aqui, a avó faz uma pausa na história para lembrar da neta. Uma menina que falava tudo e era eloquente como a mãe.

Durante um ano, Luciana, Henrique e uma equipe de amigos, voluntários e pessoas que começaram a sonhar junto com a família conduziram a creche dia após dia. "Com aqueles meninos e meninas, aprendi uma nova maneira de ser mãe, mas ao mesmo tempo, sabendo que não sou. Aprendi que o carinho que dava para o meu filho tinha que ser diferente do carinho ali. A maneira de abraçar, de responder", analisa a arquiteta.

E como coração de mãe é grande e sempre cabe mais um, eles não pararam. "Ainda não era a cara das meninas (Rafaela e Clara)", sublinha Luciana. No final do ano passado, ganhou forma a ONG Instituto Doando Vida. Conduzindo a obra, a arquiteta explica que a primeira unidade do IDV será inaugurada até o meio do ano também na Estrutural. O objetivo é acolher crianças de 2 a 5 anos, oferecendo alimentação, educação, atividades culturais e acompanhando psicológico e social para as famílias da comunidade. Tudo gratuito. Cada tijolo vem do amor e do carinho da família e de doadores que acolheram o desejo de Rafaela como seu.   

Luciana aprendeu muito com a mãe, uma mulher dura, forte e, ao mesmo tempo, doce. "Ela me ensinou sobre as regras da vida e que, apesar da dor, é preciso sorrir", complementa. Também, com  Rafaela, compreendeu outros significados da maternidade. "Não somos donos da verdade absoluta. Ser mãe é uma via de mão dupla", afirma. Ao significado do substantivo mãe, Luciana acrescentou comprometimento e maternidade afetiva. Da perda, surgiu um amor incondicional por rostos desconhecidos. Amor que é dedicação, é sacrifício e alegria - ao mesmo tempo.


Henrique e Luciana - Foto: Douglas Zanon


Henrique e Luciana - Foto: Douglas Zanon


Foto: Douglas Zanon


Foto: Douglas Zanon

Instituto Doando Vida por Rafa e Clara
CNPJ: 29.527.754/0001-86
Banco: 001 (Banco do Brasil), Agência: 1419-2, Conta: 27.488-7
237 (Bradesco), Agência: 6550-1, Conta: 6098-4

doandovidabrasil@gmail.com
http://institutodoandovida.org.br/

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Hora da gramática: saiba como pronunciar o nome de grifes de luxo

Hora da gramática: saiba como pronunciar o nome de grifes de luxo
photo Reprodução

Às vezes, a nomenclatura das labels mais queridinhas do mundo da moda é um tanto complicada de falar

 

Algumas grifes são assunto garantido no papo entre amigas, porém nem sempre da forma correta. Os nomes de origem francesa, inglesa ou italiana ganharam versões abrasileiradas devido o nível de complicação da pronúncia.

Não gosta de se enrolar na hora de falar o nome da grife? Seus problemas acabaram! Abaixo confira como pronunciar certinho a nomenclatura das etiquetas mais hypadas do universo fashion

 

Alexander Wang – Alecsander Uéng

Balenciaga – Balenssiaga

Balmain – Balmá

Bottega Veneta – Botêga Vêneta

Bvlgari – Búlgari

Celine – Cêlín

Christian Louboutin – Cristian Lubutã

Comme des Garçons – Com Dê Gásson

Dolce & Gabbana – Doltchey end Gabana

Givenchy – Givonchí

Gucci – Gúti

Hermès – Erméz

Jacquemus – Jaquemus

Jean Paul Gaultier – Jon Pol Gotiê

Lanvin – Lanvã

Louis Vuitton – Lui Viton

Marchesa – Marquêsa

Moschino – Mosquino

Ralph Lauren – Ralf Loren

Tommy Hilfiger – Tomi Rilfiguer

Versace – Versatchê

Vetements – Vetmon

Yves Saint Laurent – Ivi Sã Lorrã