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Gabriel Estrela: com projeto Boa Sorte, brasiliense portador do vírus HIV vira referência nacional

Gabriel Estrela: com projeto Boa Sorte, brasiliense portador do vírus HIV vira referência nacional
collaborated Paulo Pimenta

Musical autobiográfico que relata a experiência de Gabriel Estrela, portador do vírus HIV, torna-se projeto de repercussão nacional. Aos 26 anos, quando não está no palco, o ator e diretor viaja o mundo engajado e se conecta com milhões de seguidores que o querem ouvir falar de saúde. E não de doença

 

 

Gabriel Estrela carrega no braço esquerdo o desenho de uma ampulheta. Quando ele olha para a tatuagem, enxerga os grãos de areia começando a se mover. Quem está de frente para ele, vê o tempo da ampulheta acabando. Mas não para ele. “A ampulheta representa uma perspectiva", conta. Goiano de nascimento e brasiliense de coração, Estrela tem apenas 26 anos e convive desde os 18 com o vírus HIV. Fez do seu próprio diagnóstico um propósito: ajudar outras pessoas.

Gabriel acompanha de perto o assunto e acredita que falar de saúde é a melhor forma de enfrentar a situação. Atua como consultor sobre HIV, mesmo já tendo iniciado cursos de Comunicação Social, Artes Cênicas, Biologia e Biomedicina – mas não concluiu nenhum deles. Dedica-se a um canal no YouTube, a projetos relacionados às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e à peça de teatro que conta sua própria vida, usando suas habilidades como ator, cantor, roteirista e diretor de teatro.

O diagnóstico veio há oito anos. Ao chegar na clínica para pegar o resultado do exame de sangue, uma mulher cantava, ao vivo, a música Boa Sorte, de Vanessa da Mata e Ben Harper: "É só isso/ Não tem mais jeito/ Acabou, boa sorte". Ao conversar com a médica, a qual ele diz ter sido fria, descobriu que era um dos milhões de infectados pelo HIV – o boletim epidemiológico mais recente, de 2016, lançado pelo Ministério da Saúde, aponta que 827 mil pessoas vivem com HIV e Aids no Brasil. Naquele momento, o sentimento foi mesmo de que o fim estava próximo. "É muito difícil explicar a sensação", lembra. 

Voltou para casa, ainda desnorteado, pela W3 Norte. Dirigia lentamente, era perto da hora do almoço. Contou para os pais, irmã e para o namorado que havia conhecido há pouco tempo – tinha assumido a homossexualidade para os pais aos 15 anos. O apoio de todos foi imediato e foi no colo da família que ganhou forças. “Eu acho muito bonito quando meu pai fala: 'Meu filho estava doente. Se meu filho tem uma gripe, a gente trata. Se é uma gripe, diabetes, HIV, o que quer que seja... Meu filho está doente e eu vou ajudá-lo a procurar saúde'", conta Estrela. 

Nos palcos

Jovem e assustado, Gabriel aprendeu a lidar, aos poucos, com a informação. Procurou entender que, ao contrário do que a música dizia, não era só isso, ainda tinha jeito, sim, e nada estava acabado. O “boa sorte” cantado por Vanessa da Mata era só um desejo sincero para a nova fase. Fez do título da canção uma inspiração. Com a medicina avançada, faz o tratamento e leva vida normal. “Hoje, a gente sabe que quem está em tratamento, que está indetectável há pelo menos seis meses, sem nenhuma outra IST, não transmite o vírus. Então, o meu cuidado também sou eu cuidando do outro. Por muito tempo, o centro da resposta foi a camisinha, a tecnologia, o medicamento, e hoje não. Hoje, a gente consegue colocar a pessoa que convive com o HIV no centro dessa resposta. É uma mudança de perspectiva muito importante para as pessoas pararem de se esconder e assumir que existe um lugar ali para elas.”

Em 2012, começou a escrever a peça Boa Sorte: o musical, que estreou em 2013. A princípio, ninguém soube que era autobiográfica. "Teve gente que veio falar que era muito utópico”, lembra. Na montagem, atores se dividem nos papéis de mãe, pai, médicos, irmã, namorado e o próprio Gabriel. Uma banda ao vivo acompanha os artistas em canções da MPB. Há momentos divertidos, tristes, de reflexão e amor. O sucesso do projeto o fez retornar a Brasília no começo deste ano e segue em uma turnê rumo a São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte nos próximos meses. "De início, era só um diretor que ia apresentar uma peça e queria admitir que era autobiográfica", lembra Gabriel ao dizer que não imaginava que a repercussão seria tão grande. Ele também participa da peça, além de dirigi-la. No final, canta Alívio Imediato, do Engenheiros do Hawaii, e emociona a plateia: “Que a chuva caia como uma luva/ Um dilúvio, um delírio/ Que a chuva traga alívio imediato”.

O projeto

Estrela conseguiu transformar essa vontade de ajudar outras pessoas no projeto Boa Sorte, que vai além do teatro. Há uma série de trabalhos que vão da fotografia à música, passando por oficinas e palestras. A proposta inicial era levar arte, informação e acolhimento para todas as pessoas, desde aquelas que portam o vírus até as que estão em busca apenas de informação. O projeto ainda percorre escolas e alcança um público bem diversificado.

Engajado, o artista pretende ampliar a discussão sobre as ISTs. “Falar de doença não é a forma mais produtiva de se promover saúde, porque, um dia, a tecnologia avança e a doença deixa de ser relevante. A saúde, não”, afirma. Estrela viaja o Brasil e o mundo para discutir a situação do HIV/Aids. Entre as próximas paradas, Washington (EUA) e Amsterdã (Holanda). Aqui no País, além de fazer parte do Conselho Comunitário da Universidade de São Paulo (USP), corre os estados com palestras sobre o tema e se conecta a outros milhares de pessoas por meio das redes sociais. No YouTube, o canal Boa Sorte já passa dos 23 mil inscritos. Hoje, Estrela já tem 120 vídeos que falam sobre HIV, sexo sem camisinha, Carnaval, sobre o prazer e o sexo da pessoa que vive com deficiência, assédio, preconceitos e também sobre filmes, músicas, signos e consciência ambiental. 

Entre todos esses projetos, Gabriel Estrela leva a vida. Nem mesmo a correria em São Paulo, seu novo endereço desde 2017, é suficiente para lhe tirar o sorriso do rosto. Em busca de novas vivências, trocou a Capital pela terra da garoa. E a Estrela do Gabriel segue sendo luz na vida de milhões de pessoas: informação, arte e acolhimento – exatamente o que ele pensou quando criou o projeto. Boa sorte!

 

A necessidade de tornar pública a infecção

“Antes da necessidade de ser uma bandeira, era uma necessidade minha. Eu achava um porre não falar sobre isso, ter que me esconder para tomar remédio. Eu já tinha feito a peça e eu achava muita loucura continuar fazendo sem poder dizer: ‘Olha, essa é minha história.’”

 

Preconceito

“Eu nunca sofri, porque eu sabia que quando eu chegasse em casa, teria um lugar que eu era aceito. À medida que o projeto foi se desenvolvendo, que eu fui me informando mais, fica cada vez mais difícil me ofender. Uma vez que a gente se livra de culpa, entende toda a informação de que não transmite, de que a gente vai viver bem.”

 

Nas relações

“Eu tento sempre manter a perspectiva de que viver com HIV não é um defeito. É uma questão que, às vezes, exige ajustes de perspectiva, algo que vale a pena ser discutido entre casal para pensar na prevenção, até pelo carinho um com o outro. Mas não é um defeito. Ignorância é.”

 

Saúde em função de saúde

“Eu quero falar de saúde. E quero falar de saúde não como ausência de doença, que é um conceito arcaico. Mas falar como a capacidade que a gente tem de lutar pelos nossos direitos. Porque aí você para de promover saúde em função de doença”.


Calendário MetaFísicos 2019 se inspira na estética dos anos 1980

Calendário MetaFísicos 2019 se inspira na estética dos anos 1980
collaborated Redação
photo Cortesia

Em primeira mão, o GPS|Lifetime revela alguns cliques do badalado calendário. O lançamento acontece neste sábado, 15, no B Hotel, e tem como mestre de cerimônia a diretora de conteúdo do portal, Paula Santana

 

Neon trend! A clínica MetaFísicos apresenta hoje, 15, a edição 2019 do seu badalado calendário. Com exclusividade, o GPS|Lifetime mostra alguns cliques da produção. Ao todo, 23 pacientes do nutricionista Clayton Camargo posaram de acordo com o tema 'Neon'.

A temática revive a estética dos anos 1980, resgatando o ritmo frenético da ginástica de academia, com muita acrobacia, comum àquela época. Entre os musos e as musas desta edição estão o arquiteto Clay Rodrigues e o manager Bruno Mello

Para realizar o projeto, 37 participaram de todo o processo. Além dos modelos, 14 profissionais de backstage, como produtor, fotógrafo, cinegrafista, apoio logístico, pessoal de cabelo e maquiagem estiveram envolvidos. 

O time de estrelas de cada edição é escolhido dentre aqueles pacientes que superaram o desafio de emagrecer ao adotarem um estilo de vida saudável, com alimentação e exercícios físicos. Com o anuário, o nutricionista espera que os modelos se tornem fonte de inspiração para quem busca qualidade de vida.

O lançamento acontece neste sábado, 15, no B Hotel e tem como mestre de cerimônia a diretora de conteúdo do GPS|Lifetime, Paula Santana.

 

 




Leia também: MetaFísicos no ar: Clayton Camargos e Sérgio Morum falam sobre famoso "bumbum na nuca"

Uma febre nacional, o famoso "bumbum na nuca" é tema do segundo episódio de Metafísicos no ar, série desenvolvida por Clayton Camargos e o cirurgião plástico Sérgio Morum, sócios da clínica Metafísicos, em parceria com o videomaker Pedro Lino. O programa trata de saúde, exercícios e bem-estar e, esta semana, se debruça sobre a paixão das brasileiras (e, por quê não, os brasileiros).