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Defensor de Brasília: confira entrevista com o governador Ibaneis

Defensor de Brasília: confira entrevista com o governador Ibaneis
collaborated Marcella Oliveira
photo Celso Junior

Empossado nesta terça-feira, 1,  Ibaneis Rocha terá como missão atender a expectativa de um milhão de brasilenses de quem obteve o voto. Confira, abaixo, entrevista concedida pelo governador ao GPS|Lifetime

 

A manhã desta terça-feira, 1, começou nublada. Entretanto, o dia não terminou da mesma forma. Com o passar das horas, o clima cinzento deu lugar a nuvens e o conhecido sol dos verões brasilienses. A mudança de temperatura pode servir como metáfora à maneira com o que o governador Ibaneis Rocha pretende comandar o Distrito Federal. Da neblina a luz. Transformar problemas em soluções será seu norte.

Empossado ontem em cerimônia no Buriti, o advogado mostrou-se sensível a causas urgentes, como a questão da saúde, e prometeu agir em prol do povo. O GPS|Lifetime esteve na solenidade e falou sobre ela nesta reportagem. Agora, reproduzimos entrevista com o brasiliense, publicada originalmente na edição 21 da nossa versão impressa.



Na certidão de nascimento, Hospital de Base. O primeiro trabalho foi como empacotador de mercado. Teve a educação como oportunidade de mudar de vida. A advocacia como fonte da sua atual fortuna. E tem um Distrito Federal em apuros como novo desafio. O debutante na política, Ibaneis Rocha, aposta em sua persistência e no talento da oratória como armas para governar Brasília.

Advogado há 25 anos, Ibaneis é pragmático, tem autoconfiança. No meio do Direito, tem fama de ser um “trator”, pelo fato de sua personalidade parecer, por vezes, arrogante. Ele tem respostas para tudo e é trabalhador, insistente, com histórias de sucesso em seus processos. Acumulou uma fortuna declarada de quase R$ 94 milhões. “Minha vida tem sido marcada por trabalho e dedicação desde muito novo, quando tracei os objetivos que queria alcançar”, afirma, em entrevista exclusiva à revista.

A justificativa para se filiar ao MDB e concorrer às eleições para o GDF, seu primeiro cargo político? Nenhum dos candidatos o representava. “Entrei para a política exatamente porque não estava satisfeito com ela; acho que podemos fazer diferente, melhor”, afirma. De forma inesperada, o advogado de 47 anos saiu dos 2% na primeira pesquisa de intenção de votos para 69,79% dos votos válidos no segundo turno. Mais de um milhão de brasilienses acreditaram nele. Mas sua meta agora não é só honrar a confiança do eleitorado, é também melhorar a vida de toda a população do DF, que chega a três milhões de pessoas.

As dificuldades enfrentadas por Brasília nos últimos anos não o intimidam. “Eu digo que fui eleito para resolver os problemas e não para relatá-los para a sociedade”. Zerar a fila de cirurgias, advogar em prol dos empresários para que possam voltar a gerar emprego e renda, reajuste salarial para polícias e professores, reabrir todas as delegacias. São muitas as metas de campanha, e ele garante cumprir todas. “A saúde em primeiro lugar, porque ela não espera. O resto vem depois”, afirma.

Ibaneis tem demonstrado pressa. Apesar de integrar a tradicional legenda do MDB, aposta em um governo prático e diz que será “um novo jeito de fazer política”. Seu secretariado tem sido selecionado por critério técnicos e ficha limpa. Ele tem dito ainda que será seu próprio articulador político. “O mandato tem dia para começar e acabar. A tarefa de governador será árdua, eu sei; mas eu gosto de vencer desafios. Eu acordo muito cedo e durmo muito tarde, sei delegar funções e sei cobrar resultados”, espera.

Ibaneis sempre dedicou sua vida para o trabalho, mas é na família que encontra fôlego. Morou em Sobradinho e Taguatinga. Dos oito aos 15 anos viveu na cidade dos pais, Corrente, no Piauí, e depois voltou para Brasília onde construiu sua história. Hoje, é no Lago Sul que vive com a esposa Mayara, com quem tem um filho recém-nascido – tem outros dois herdeiros do primeiro relacionamento. O sangue nordestino nas veias fez de Ibaneis um exímio cozinheiro. Dobradinha, buchada e galinha caipira são algumas das suas especialidades. Por isso, garante, as comidas saboreadas durante a campanha não era só pela política. “Tirei dois dias depois da vitória para fazer uns exames para ver como estava a saúde”, disse.

O advogado tem dito que se orgulha em ser o primeiro governador nascido no DF. Com apoio da família, a expertise na advocacia, a experiência como presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional DF, e nos cargos de direção na ordem serão os elementos para ajudar na ação desse novato na política.


Como tem sido o trabalho no governo de transição?
Tenho trabalhado muito neste período pós-eleição. Tirei apenas dois dias para fazer alguns exames e um fim de semana para relaxar. O resto tem sido de trabalho, buscando verbas federais, oportunidades de investimentos, conversando com empresários e políticos. A situação do DF é muito grave, a cidade está parada, ninguém quer investir aqui, os problemas se avolumaram e agora temos que correr em várias frentes. Mas eu gosto muito de trabalhar e gosto mais ainda de resolver as coisas.

Após tomar posse, qual será a primeira ação?
Vou assinar uma série de decretos que vão começar a mudar a cara da cidade. Ainda estou decidindo a melhor forma. Mas uma das primeiras ações do governo já está acontecendo, que é o pedido da redução de impostos – ICMS, ISS, ITBI – para que a economia comece a ser aquecida. Vamos começar com ações emergenciais e aos poucos ir evoluindo para soluções definitivas, que preparem a cidade para as próximas décadas. Em Brasília, em todo o Distrito Federal, é preciso pensar grande, buscar alternativas, sem se conformar com as dificuldades. Eu digo que fui eleito para resolver os problemas e não para relatá-los para a sociedade.

O senhor tem falado que será o articulador político de seu governo. Como pretende agir?
Eu fui talhado no diálogo. Como advogado, minha vida foi buscar acordos por meio de argumentações, foi minha marca na Ordem dos Advogados do Brasil, onde agi sempre depois de ouvir todas as partes interessadas. Quero levar essa experiência para o governo; aliás, já estou fazendo isso na formação do secretariado e na escolha dos diretores das empresas, conversando com setores de toda a sociedade organizada para encontrar os melhores nomes. No governo, pretendo agir da mesma forma, conversando com as bancadas de parlamentares, com entidades e associações.



Como será o trabalho junto à nova Câmara Legislativa?
Quero consultar os deputados antes de enviar qualquer projeto para a Câmara Legislativa, negociar, ouvir, para que a tramitação ocorra sem grandes problemas. Oposição é parte do sistema democrático. Eu espero trabalhar de forma a convencer os deputados a nos ajudar a fazer os projetos de interesse do governo, com um diálogo permanente com os deputados. Espero que o interesse dos moradores do Distrito Federal sempre prevaleça nas minhas relações com a Câmara Legislativa; afinal, todos fomos eleitos para isso. Acredito que conversando podemos sempre chegar a um bom termo e faremos isso com todas as leis.

Qual expectativa de relacionamento com o Presidente Jair Bolsonaro?
A melhor possível. O presidente é morador de Brasília há muitos anos, a esposa dele é nascida aqui; ou seja, ele tem uma relação com a cidade e tenho certeza de que vai nos ajudar a administrar o DF. Brasília é sede dos Poderes nacionais, das embaixadas e precisa ter um tratamento diferenciado do governo federal. Mas o Presidente sabe disso.




A saúde será sua prioridade, como tem dito. Quais serão as mudanças efetivas no setor?
Serão mudanças profundas. Na saúde básica vamos recompor todas as equipes para que o primeiro atendimento seja muito melhorado, o que certamente vai diminuir as filas em hospitais e postos de saúde; também vamos zerar as filas de operações e exames, se preciso fazendo convênios com a rede privada e, em seguida, vamos recuperar equipamentos e a infraestrutura de hospitais, centros e postos de saúde e também das UPAs. Há muito trabalho a ser feito e o nosso secretário, Osney Okumoto, que ainda está no Ministério da Saúde, terá todo o apoio para fazer seu trabalho.



O que pretende fazer para que os empreendedores voltem a trabalhar?
A primeira ação foi feita antes mesmo de o governo começar, com a transferência da administração da Junta Comercial para o Distrito Federal, deixando a esfera federal. Isso causava muito transtorno para os empreendedores, notadamente os micro e pequenos. Eu sempre digo que o que os empresários precisam é de que o governo atrapalhe o menos possível; nós vamos criar condições para ter um ambiente amigável para quem quiser abrir ou ampliar os negócios; uma das ações é a liberação dos alvarás em até 48 horas, fazendo com que haja uma agilidade maior nos processos e confiando no empresário. Vamos fazer a fiscalização, para eventualmente adequar alguma coisa que esteja fora das normas, mas queremos que o empreendedor possa tocar seu negócio com mais rapidez e segurança. A construção civil é o meio mais rápido de criar empregos e girar a economia, mas o empresário precisa de segurança para investir.

O senhor pretende dar continuidade ao Projeto Orla, implementado pelo atual governo, ou fará mudanças?
O projeto Orla está sendo desenvolvido de forma errada, causando insegurança nos moradores e contribuindo para mais sujeira no lago. Agora há uma imensa área que não está sendo cuidada por ninguém, com mato alto, ratos, baratas. É preciso democratizar o lago de uma forma que todos aproveitem e cuidando do meio ambiente.



Passamos por uma severa crise hídrica. O que planeja para que isso não volte a acontecer?
Primeiro, é preciso terminar as obras que os governos deixaram pelo caminho, terminando a captação de água de Corumbá IV, aumentando a captação no lago Paranoá e cuidando da proteção dos mananciais que abastecem todo o DF. Mas vamos além: já estamos estudando como fazer uma nova barragem, provavelmente aproveitando o rio Maranhão, que poderá abastecer toda a região norte do Distrito Federal. Também vamos estudar um projeto de microbarragens na região do Rio Preto para abastecer os produtores rurais.

Como pretende usar a Residência Oficial, em Águas Claras?
A primeira ideia é transformar a residência oficial num espaço para abrigar e cuidar de deficientes. São mais de 400 mil pessoas com algum tipo de deficiência no DF e ali poderia ser criado um grande centro de referência. Outra parte seria usada para construir uma nova saída de veículos de Águas Claras para a EPTG e o restante do terreno poderia ser integrado ao Parque Ecológico, mas tudo isto ainda está em estudo.

E o que fará com o Centro Administrativo?
O Centro Administrativo pede uma solução urgente. Já estamos tratando da burocracia, conversando com a Caixa Econômica Federal e com o consórcio que fez o prédio para encontrar a melhor solução. O GDF paga muitos aluguéis e temos que saber se a mudança geraria economia; os estudos já começaram e em poucas semanas teremos uma definição para apresentar para a sociedade

Como será o relacionamento com as cidades do Entorno?
Já conversei com o governador Ronaldo Caiado algumas vezes, porque este é um problema interestadual. Estou propondo a criação de uma região metropolitana, o que resolveria inúmeros processos burocráticos e facilitaria a vida das populações do DF e de Goiás, principalmente, mas incluindo Minas Gerais. Já estamos trabalhando neste sentido.



É a sua estreia na política. Tem algum político que o inspire?
Eu admiro muito Juscelino Kubistchek pela capacidade de realização e Tancredo Neves pela notável competência no diálogo. Aqui em Brasília, gosto mundo do ex-governador Roriz por causa da preocupação dele com as famílias mais humildes e pela visão de futuro.

Daqui a quatro anos, como pretende entregar a cidade para os 70% do eleitorado que apostou no senhor como governador?
Vou entregar o Distrito Federal funcionando. Será possível retomar os trilhos do desenvolvimento, dar esperança para as pessoas, melhorando os cuidados básicos – como a saúde – e investindo numa educação com mais qualidade e oferecendo empregos de qualidade. Não gosto do instituto da reeleição, acho importante a renovação e não está nos meus planos buscar a renovação do mandato. Só admitiria essa hipótese no caso de uma aprovação muito grande, mas ainda assim resistiria à ideia. Eu quero ser um governador que abra as portas do futuro para a cidade e para as pessoas.


Morre, aos 113 anos, o homem mais velho do mundo

Morre, aos 113 anos, o homem mais velho do mundo
collaborated Gustavo Azevedo
photo Reprodução

O centenário faleceu de causas naturais enquanto dormia

 

Morreu neste domingo, 20, o homem o mais velho do mundo, segundo o livro Guinness dos Recordes. A informação foi confirmada pela imprensa japonesa. Masazo Nonaka tinha 113 anos e faleceu enquanto dormia em sua casa, no norte do Japão, de causas naturais.

Nonaka nasceu em 25 de julho de 1905. A mulher e três dos filhos do centenário já haviam morrido.

O Guinness reconheceu Nonaka como o homem mais velho do globo no ano passado, após a morte do espanhol Francisco Núñez Olivera.