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Amor sem limites, DNAs diferentes: a trupe pernambucana que ressignificou a vida de Osmir e Carlos

Amor sem limites, DNAs diferentes: a trupe pernambucana que ressignificou a vida de Osmir e Carlos
collaborated Roberta Pinheiro
photo Bruno Cavalcanti

Uma ligação de Caruaru mudou, para sempre, a vida do casal Osmir e Carlos. Ao lado dos quatro filhos, eles construíram uma família diferente, que encaixa as peculiaridades na sua "confusão com amor"

São 15h de uma sexta-feira. O período de provas na escola acabou. Felipe, 12 anos,  Fagner, 10, e Victor, 8, estão na sala, sentados no sofá tirando o atraso no video game. Lá dos quartos, vem Vinícius, 6, com um celular na mão, também se divertindo com algum jogo. Luna, a cadelinha da família, corre de um lado para o outro querendo atenção. Pikachu e Flor, as calopsitas, estão soltas e bem ambientadas na casa. Ao redor da mesa de jantar, inúmeras fotos: festa junina, competição de judô, colo do Papai Noel, primeira comunhão. Momentos que transbordam alegria e estão eternizados - sorrisos não faltam. "Não repara a bagunça. Eles acabaram de cortar o cabelo porque hoje à noite tem festa de Dia dos Pais na escola", se desculpa Carlos Eduardo dos Santos, 57. Da área de serviço, aparece Osmir Messora Junior, 56, com uma vassoura e uma pá para limpar a tal bagunça.

"Uma das coisas que a gente fala com eles é sobre a nossa família. Ela é diferente e eles precisam entender que ela é diferente. O que não quer dizer que é melhor ou pior que as outras. Apenas diferente", afirma Carlos. O professor da Universidade de Brasília (UnB) e Osmir estão juntos há 33 anos. "Eu trabalhava com um primo dele que nos apresentou. Quando nos conhecemos, cruzamos nossos caminhos quase que pela eternidade", complementa o professor. Em 2013, um telefonema mudou, radicalmente, a vida dos dois. Mesmo já tendo participado do processo de preparação para a adoção, não sabiam que estavam cadastrados no sistema - Cadastro Nacional de Adoção (CNA) - e que um grupo de três irmãos aguardavam por uma família em Caruaru, Pernambuco.

O dia da notícia tão aguardada está registrado na memória. "Foi tudo muito rápido. Nem sabíamos que estávamos habilitados no cadastro, quando recebemos a ligação do Fórum de Caruaru falando dos meninos", relembra Carlos. Literalmente, em uma questão de minutos, a vida a dois se multiplicou. Osmir e Carlos embarcaram para o município pernambucano e chegando lá descobriram que além de Felipe, Fagner e Victor, uma criança de 2 anos, irmão dos mais velhos, também esperava um colo. "Não pensamos duas vezes. Tínhamos que levar ele também. Não íamos separar os irmãos independente da mudança radical em nossa vida. Eles preencheram o nosso dia a dia de uma maneira especial", comenta o professor.

 

"Não pensamos duas vezes. Tínhamos que levar ele também. Não íamos separar os irmãos independente da mudança radical em nossa vida. Eles preencheram o nosso dia a dia de uma maneira especial"

 

O processo da adoção requer paciência e controle de ansiedades e expectativas. Falar com os meninos por telefone todos os dias enquanto não podiam tê-los em casa facilitou. Em Caruaru, até sair a guarda definitiva, a dúvida de como agir era grande. "Foram 15 dias nos quais o vínculo fica preso, tanto para nós quanto para as crianças, que não sabem se estão com a gente ou com o serviço social", relembra Osmir. "Você não sabe se assume a paternidade naquele momento ou se é um visitante", acrescenta Carlos.

Os olhares que antes se cruzavam sem desvios no percurso agora se entrelaçam com o dos filhos em idades diferentes e com necessidades distintas. No primeiro momento, uma mistura de susto e medo. "Pai biológico vai aprendendo paulatinamente. Vê o crescimento, o desenvolvimento. Com o pai não biológico, a coisa acontece e você tem que trabalhar", afirma Carlos. "O cotidiano é tão intenso que não deixa você parar para pensar muito", complementa Osmir, aos risos.  

A mudança, como em toda situação, requer um período de adaptação que não é fácil. "Um dia você está sossegado no seu mundinho e no dia seguinte, aquele seu mundinho não existe mais. Ele ter que ser dividido completamente", descreve Osmir. Mas, os meninos, cada um com seu jeito e peculiaridade, contribuíram. Estavam abertos e agiram como se já conhecessem todo mundo. "Hoje, a palavra adoção não tem significado, praticamente. São meus filhos. Eles reproduzem coisas nossas, apesar de não terem nosso DNA. A palavra, agora, me soa estranha. É tão natural", afirma Carlos.   

 

"Hoje, a palavra adoção não tem significado, praticamente. São meus filhos. Eles reproduzem coisas nossas, apesar de não terem nosso DNA. A palavra, agora, me soa estranha. É tão natural"

 

Ao compartilharem sua história e vivência com os outros, Carlos e Osmir tentam estimular a adoção tardia. "Ela é possível. Ainda tínhamos o pré-conceito quando entramos no processo de querer um bebê achando que isso facilitaria na hora da educação, da formação. Mas, percebemos ao longo desses quase cinco anos que não é bem isso. O cotidiano vai suplementando, assim como o amor e o carinho. Você muda o seu modo de vida e de pensar e passa a dar devida importância ao que realmente importa. No caso, hoje, é ser pai", conta o professor. Com o dia a dia, uma programação intensa, com escola, atividades esportivas, brincadeira e uma enorme dose de amor, os meninos se adaptaram. "É preciso deixar natural esse estilo de família diferente, para as pessoas não estranharem", resume Osmir.  

Entre risadas e relatos de uma vida que ganhou energia e cores com a chegada da trupe de Caruaru, em determinado momento a voz falha e os olhos tentam a todo custo conter as lágrimas. "As crianças nunca passaram por uma situação complicada na escola ou em locais públicos. Mas, a gente observa o preconceito racial. No shopping, se elas andam um pouco afastadas de nós dois, o vigia vai atrás, por exemplo", narra Osmir. "A gente tinha ideia que existia o racismo, mas não a esse ponto." 

Para o casal, o fato de serem homossexuais brancos e de classe média favorece. Caso contrário, a aceitação não seria a mesma. "A gente sente pelo outro. E o amor de filho é algo muito forte. É um amor que dói", afirma Osmir.

Carlos e Osmir têm com os meninos um diálogo aberto, uma via de mão dupla. "Procuramos falar sobre tudo com eles, claro, de acordo com a idade de cada um. Buscamos a conversa e tentamos trabalhar os problemas que eles trazem para nós ou que observamos", descreve o professor. "A paternidade mais tarde e mais madura trouxe um certo sossego. Não antecipamos algo, não temos aquela ânsia", acrescenta Osmir.

Da mesma forma que eles transformaram a realidade de Felipe, Fagner, Victor e Vinicius, a trupe também ressignificou a vida dos pais. "Consigo pensar um pouco mais no que é ser uma família. Nós preocupamos com eles e com o futuro deles. Pensamos a nossa saúde e na nossa longevidade para ficar com eles", afirma Carlos.

Acostumado com o universo acadêmico cheio de títulos e condecorações, o professor de enfermagem da UnB, Carlos, diz que o melhor qualificação que poderia ter é o de ser pai. "Não tem outro igual que supere o prazer, o cotidiano, a grande vicissitude da vida que é compartilhar conhecimento, afeto. Ser pais é tudo isso e muito mais", comenta. Sentado ao seu lado, Osmir sublinha: "Principalmente, quando eles olham com aquele olhar de admiração, com coisa pouca que você faz. Você se sente um super-heroí mesmo e também fica com medo pela responsabilidade."

A vida da família, que não tem medo do diferente e tampouco esconde o afeto que transborda de cada coração, é, nas palavras deles, uma verdadeira confusão com amor. "Às vezes somos mais duros, mas a gente sabe que a vida é muito dura. Precisamos prepará-los para o menor sofrimento possível. Não é fácil viver, mas podemos tirar o lado bom de tudo", afirma Carlos.

Mesmo quietos e tímidos diante da câmara e do desconhecido, os meninos demonstram o carinho pelos pais. Vinicius, mais risonho, não sai do colo de Osmir. O mais velho, Felipe, quando questionado sobre o que gostaria de dizer neste dia, não exita e logo afirma: "Que a gente os ama muito."

 


Calendário MetaFísicos 2019 se inspira na estética dos anos 1980

Calendário MetaFísicos 2019 se inspira na estética dos anos 1980
collaborated Redação
photo Cortesia

Em primeira mão, o GPS|Lifetime revela alguns cliques do badalado calendário. O lançamento acontece neste sábado, 15, no B Hotel, e tem como mestre de cerimônia a diretora de conteúdo do portal, Paula Santana

 

Neon trend! A clínica MetaFísicos apresenta hoje, 15, a edição 2019 do seu badalado calendário. Com exclusividade, o GPS|Lifetime mostra alguns cliques da produção. Ao todo, 23 pacientes do nutricionista Clayton Camargo posaram de acordo com o tema 'Neon'.

A temática revive a estética dos anos 1980, resgatando o ritmo frenético da ginástica de academia, com muita acrobacia, comum àquela época. Entre os musos e as musas desta edição estão o arquiteto Clay Rodrigues e o manager Bruno Mello

Para realizar o projeto, 37 participaram de todo o processo. Além dos modelos, 14 profissionais de backstage, como produtor, fotógrafo, cinegrafista, apoio logístico, pessoal de cabelo e maquiagem estiveram envolvidos. 

O time de estrelas de cada edição é escolhido dentre aqueles pacientes que superaram o desafio de emagrecer ao adotarem um estilo de vida saudável, com alimentação e exercícios físicos. Com o anuário, o nutricionista espera que os modelos se tornem fonte de inspiração para quem busca qualidade de vida.

O lançamento acontece neste sábado, 15, no B Hotel e tem como mestre de cerimônia a diretora de conteúdo do GPS|Lifetime, Paula Santana.

 

 




Leia também: MetaFísicos no ar: Clayton Camargos e Sérgio Morum falam sobre famoso "bumbum na nuca"

Uma febre nacional, o famoso "bumbum na nuca" é tema do segundo episódio de Metafísicos no ar, série desenvolvida por Clayton Camargos e o cirurgião plástico Sérgio Morum, sócios da clínica Metafísicos, em parceria com o videomaker Pedro Lino. O programa trata de saúde, exercícios e bem-estar e, esta semana, se debruça sobre a paixão das brasileiras (e, por quê não, os brasileiros).