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Artigo: um cartão na caixinha dos Correios

Artigo: um cartão na caixinha dos Correios

Quando eu era adolescente, eu amava enviar cartões de Natal. Do jeito tradicional: comprava o cartão, escrevia à mão e mandava pelos Correios. Ficava ansiosa para receber os meus. Lembro que o carteiro passava perto das 5 da tarde e eu quase ficava na porta esperando por ele. Os cartões eram colocados na árvore de Natal, junto com os enfeites. Era uma época maravilhosa.

Mas aí o tempo passou... E já tinha um tempo que eu estava meio “brigada” com o Natal. Acho que o verdadeiro sentido foi se perdendo... Não há mais preces, as pessoas têm preguiça até para participar das confraternizações. Reunir amigos e familiares foi ficando cada vez mais difícil.

Neste ano, escolhi espalhar amor. Fazer a minha parte. Pensei em uma forma de fazer isso e me lembrei dos cartões. Sempre fui uma pessoa de escrever cartões nos aniversários, sou daquelas apaixonadas por papelaria e cheia de canetas coloridas. Comprei os cartões. Além dos familiares e amigos mais próximos, decidi mandar para amigos mais distantes, novos amigos, quem eu não vejo há muito tempo, e também parceiros de trabalho. 

Veio a saga de pedir o endereço com CEP. Não disse para que queria, apenas pedi com a desculpa de que estava organizando minha agenda de contatos. Como sou muito organizada, muitos aceitaram. Mas outros desconfiaram. “Pra que?”, “Por que?”.

Com tudo em mãos, iniciei a fase de escrever. Fiz um texto base para todos os cartões: 
 

“Sobre este cartão... Neste ano, resolvi resgatar uma prática antiga que eu amava fazer quando era mais nova: enviar cartões de Natal - pelos Correios e escritos à mão. Foi a forma que encontrei de desejar mais amor em 2019 aos familiares, amigos e parceiros de trabalho.”

 

Do outro lado, uma mensagem personalizada para cada um. Foram dias escrevendo. Usei minhas canetas coloridas. Pensei com carinho em cada pessoa que eu iria mandar. Enderecei envelopes para Brasília, para vários lugares do Brasil e alguns no mundo. Foi até para o Japão. 

Enquanto escrevia, meus pais ficaram me sacaneando. Apostaram quantos eu receberia de volta. “Dois”, disse meu pai. “Dez”, disse minha mãe. Mas, juro por Deus, a minha intenção não era essa. Acreditava, realmente, que não receberia praticamente nenhuma resposta dos mais de 150 cartões que escrevi, mas aquele momento dedicado a eles me fez tão bem. Eu apenas queria que meus familiares e amigos se desconectassem um pouco e lembrassem que pode chegar mais do que boletos pelos Correios. 

O que eu não sabia era o melhor que estava por vir. Quando as pessoas começaram a receber os cartões, me encheram de mensagens - tá, foram eletrônicas. Recebi fotos dos filhos das minhas amigas com os cartões na mão, vídeos deles agradecendo, fotos dos cartões na árvore de Natal, posts no Instagram e Facebook, áudios, relatos de como fiz aquelas pessoas voltarem no tempo, lembrarem da infância. Teve quem dissesse que demorou um tempão para ver, porque não tem mais o hábito de ir na caixinha dos Correios. Sim, com certeza teve quem nem se importou, mas e o tanto de amor que senti de volta? Foi inesquecível. Um verdadeiro resgate às coisas boas. 

Meus pais estavam certos, quase ninguém respondeu à mão. Mas teve quem também resgatou a prática, provocado por mim. O pai de uma amiga, em uma confraternização, trouxe em mãos um envelope e um cartão meio amarelado pelo tempo, me explicou que o fiz abrir uma caixa da época que ele trabalhava e mandava fazer cartões com a assinatura dele para os funcionários. Tive o prazer de receber um. Uma amiga da minha mãe veio pessoalmente na minha casa e, além do cartão, me trouxe um livrinho de orações. Outras três amigas me deram em mãos. E a mãe de uma amiga foi a única que me mandou de volta pelos Correios. 

Foi lindo. Tenho certeza que fiz muitas pessoas felizes. Estou feliz! E já ansiosa para os cartões que vou escrever no ano que vem. Porque pretendo não deixar essa prática se perder novamente. Fiz as pazes com o Natal. Meu coração está cheio de alegria em saber que provoquei o sorriso em tanta gente... Feliz Natal a todos! E vamos espalhar amor. O mundo está precisando. E nós também.


Morre, aos 113 anos, o homem mais velho do mundo

Morre, aos 113 anos, o homem mais velho do mundo
collaborated Gustavo Azevedo
photo Reprodução

O centenário faleceu de causas naturais enquanto dormia

 

Morreu neste domingo, 20, o homem o mais velho do mundo, segundo o livro Guinness dos Recordes. A informação foi confirmada pela imprensa japonesa. Masazo Nonaka tinha 113 anos e faleceu enquanto dormia em sua casa, no norte do Japão, de causas naturais.

Nonaka nasceu em 25 de julho de 1905. A mulher e três dos filhos do centenário já haviam morrido.

O Guinness reconheceu Nonaka como o homem mais velho do globo no ano passado, após a morte do espanhol Francisco Núñez Olivera.