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Tempos modernos: a internet está nos fazendo regredir?

Tempos modernos: a internet está nos fazendo regredir?
photo Reprodução

Acabamos não por navegar na rede, mas por naufragar nela


Quantas postagens de redes sociais nós conseguimos absorver por dia? Quantas postagens as redes sociais nos entregam por dia? Será que nós aproveitamos tudo o que vemos nas redes? Aproveitamos metade? Um terço? Quase nada? Ou nada?

Quantas dicas nós vimos nas redes sociais e realmente as seguimos? Sobre investimentos, sobre os “Do It Yourself”, tutoriais de manutenção, instalação… Quantas notícias já lemos e pudemos nos aprofundar no caso? Quanto conhecimento não foi feito de “ctrl + c; ctrl +v”, o famoso "copia e cola"?

Como nada é polarizado, um ou outro conteúdo nós soubemos aproveitar, entretanto, se compararmos com todos os outros conteúdos que chegam até nós, a conclusão é a mesma de Mário Sérgio Cortella: nós acabamos não por navegar na rede, mas por naufragar nela.

Nicholas Carr, um estudioso das consequências da internet no cérebro humano, afirma que nós não estamos preparados para receber tanta informação. A velocidade informacional não é acompanhada pelo nosso cérebro. A sociedade aumentou tanto o fluxo informacional nesses últimos 60 anos que o nosso corpo não foi capaz de se adaptar.

Uma das maravilhas desses últimos anos é a palavra “multitasking”, ou “multitarefas”. Quem é capaz de fazer várias coisas ao mesmo tempo, ou melhor, processar várias informações ao mesmo tempo, como ligar para o cliente, fechar um trabalho e se preparar para a palestra que acontecerá em 5 minutos, é com certeza, um indivíduo almejado no mercado de trabalho, e “adaptado” ao novo mundo.  




Curiosamente, Byang Chul Han mostra que o multitarefa é, na verdade, uma capacidade primitiva humana. Há milhares de anos, ao mesmo tempo em que tínhamos que comer (época em que éramos carniceiros), nós também tínhamos que nos preocupar com outros predadores, cuidar do bando e estar o tempo inteiro preparado para fugir. Naquela época, também precisávamos processar informações ao mesmo tempo.

Ser multitarefas era muito importante antes, mas acabamos, ao longo do desenvolvimento da raça humana, equilibrando tal capacidade com a de aprofundamento dos conteúdos. Daí vieram os mitos, as filosofias, a matemática, a ciência em geral, todo o conhecimento ímpar do ser humano.

Com o aprofundamento, fizemos muito com pouco. Hoje, com o excesso de informação, parece que estamos fazendo pouco com muito. Mais uma vez: será que aproveitamos tudo o que vemos nas redes?

Por Leonardo Torres, palestrante, professor e doutorando em comunicação e cultura midiática


Mariana Fonseca, a chef que manifesta seu amor em receitas

Mariana Fonseca, a chef que manifesta seu amor em receitas
collaborated Marcella Oliveira
photo Claudio Almeida

Chef dos gastro spots Myk e Kouzina, Mariana Fonseca é uma amante da Grêcia e estampa a essência simples e natural do país em suas receitas. A essência simples e natural do local está impressa em tudo que a cerca. Da décor ao lifestyle

 

Falar grego. A gente usa essa expressão quando quer dizer que não estamos entendendo algo que é dito. Não temos o mesmo alfabeto e arriscar pronunciar as palavras pode render boas risadas. Mas sabemos reconhecer sua atmosfera. Aqueles cenários de filme com casinhas brancas e detalhes em azul são peculiares. Isso, claro, sem esquecer os sabores da culinária mediterrânea. Muita ousadia trazer esse contexto para São Paulo? Não para a chef Mariana Fonseca

Mariana é brasileira de nascimento e grega de coração, como costuma dizer. Foram sete anos vivendo pelo Mediterrâneo, onde aprendeu a culinária, experimentou sabores e vivenciou a cultura. Apaixonou-se tanto por lá que é essa atmosfera grega que ela reproduz em seus restaurantes, o Myk e duas unidades do Kouzina, todos em São Paulo. Ambientes clean, com muito branco, louças e detalhes em azul. É a Grécia aqui. “Foi tudo pensado por mim. Não queria representar apenas o paladar. Meus restaurantes trazem o lifestyle grego”, explica.

A paulistana leva uma típica vida agitada da cidade cosmopolita. Com um filho de dois anos, Theodoro, acorda 6h30, faz ginástica, despacha de casa e às 10h segue se dividindo entre os restaurantes ao longo do dia. De uma cozinha para outra, de um escritório para outro. "Sou controladora e gosto de saber tudo que acontece". O fim do dia é de volta para casa para passar mais um tempo com o filho, mas durante a noite segue novamente pela saga de visitar suas cozinhas. Parece cansativo? Sim, mas ela não para. Já tem planos concretos de mais uma unidade do Kouzina e outros três novos restaurantes para 2019.

A empresária comanda uma equipe de 180 pessoas e treina outras 120 para os novos empreendimentos. “Entrevisto cada pessoa que vai trabalhar comigo, olho no olho, escuto meu feeling. Minha equipe é minha família”, diz a chef exigente, perfeccionista e metódica. 

Com uma rotina intensa, parece até ironia quando revela o que mais a atrai nos gregos. “Gosto do jeito simples que eles levam a vida. Acordar de manhã, comprar o pão na padaria mais antiga da ilha, cozinhar com produtos da horta, nadar em mar aberto sem perigo. Eles aproveitam o que foi dado: bons ingredientes, mar azul, e celebram a vida com muita festa”, diz a amante do mar e avessa à multidão. Mariana viveu em Mykonos e é onde hoje tem uma casa. “Mas amo de paixão Athenas”, completa. Você fala grego? “É meu terceiro idioma e falo com meu filho em casa, quero que ele aprenda”.

Empreendedora, criativa e inteligente, Mariana não passa despercebida. Seja pela culinária ou pela mulher alta e bonita que é. É discreta e tímida, mas abre um sorriso sincero quando é requisitada em uma mesa de clientes para receber um feedback. Ela cozinha com o coração e com simplicidade. “Mas minhas receitas favoritas são as que minha falecida mãe preparava, como a abobrinha recheada ou o bolo de carne, comida de verdade, como as que tento fazer nos meus restaurantes”, conta.

O amor de Mariana pela Grécia está em tudo que ela fala, em seus gestos, seu trabalho e na sua vida. Hoje, aos 38 anos e com uma carreira já consolidada no Brasil, conta que não se sentiu intimidada quando começou a atuar na maior cidade do País. "Meu diferencial é fazer uma cozinha que nunca foi muito explorada, sou a primeira no Brasil a difundir a culinária grega contemporânea. Agora está na moda, mas a minha paixão é, além de antiga, um estilo de vida. Eu vivo a Grécia 24 horas por dia", afirma.

Mariana é clássica na forma de levar a vida e no seu processo criativo. Usa as ferramentas que estão ao seu alcance para criar. Dos primórdios da cozinha da avó italiana até a última viagem que fez, além do aprendizado dos livros. "Não paro de ler, sempre um atrás do outro, e deixo minha criatividade reinar", confessa. Nas poucas horas livres que tem, viaja ou degusta um bom vinho. Mas é na cozinha que se sente viva. “Alimentos alimentam minha alma”, conclui a chef.

 




Myk

Inaugurado em janeiro de 2013, é no Myk que Mariana Fonseca faz sua cozinha mais autoral. “Foi a melhor maneira que achei de colocar todo meu amor pela Grécia aqui no meu País. O restaurante me transporta direto para Mykonos. O olho grego é minha marca registrada. A música alta lembra os beach clubs de Mykonos”, conta. É lá que fica seu prato preferido, o polvo grelhado.

 

Kouzina

Kouzina é uma taverna, como um boteco grego. Surgiu em junho de 2015, no Jardins. Uma grande bandeira da Grécia mostra que a comida é tradicional e farta. “Lembrando a vovó grega”, brinca Mariana. A disposição permite que os clientes vejam parte da cozinha. Na décor, latinhas de tomate originais da Grécia com pimentas plantadas pela própria chef. Este ano, inaugurou o segundo Kouzina, em Pinheiros.

 

Novos sabores

Atualmente a chef finaliza o projeto da terceira unidade do Kouzina, no Shopping Cidade Jardim. Paralelamente, ela coordena a abertura de outros três restaurantes em 2019. O Fotiá vai trazer o fogo como base das receitas, nos Jardins, e o Mediterranee intensifica a paixão pelo Mediterrâneo em receitas que vão da Grécia para França, Marrocos, Israel, Itália. “O último é o Vulcano, inspirado na região da Magna Grécia, no sul da Itália”, revela Mariana.