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O sagrado: moda e religião se misturam em devoção vestida

O sagrado: moda e religião se misturam em devoção vestida
collaborated Giulia Roriz
photo Reprodução

Cruz, hijab, turbantes... GPS|Lifetime explica a relação entre elementos religiosos e o cenário fashion

Não há nada de novo no fato de religião e o mundo fashion se mesclarem. A moda possui como um de seus campos de ação os estudos que permeiam simbologias e que demarcam identidades de grupos sociais. A função simbólica dos produtos é determinada por todos os aspectos espirituais, psíquicos, sociais e culturais; e exerce influência no estilo de quem consome e segue tendências.

Por estar intimamente atrelada à sociedade, a religião, seja ela qual for, se manifesta fortemente nesse mundo. Desde inspirações usadas por estilistas em suas criações a códigos de vestimentas, é visível que a mistura gerada consegue arrancar suspiros ou alavancar protestos.

A consultora de estilo Ucha Meirelles, apaixonada por história da moda e com um olhar clínico para tendências, afirma que aplica diversas referências ligadas à religião no seu estilo. “Eu acho muito bacana essa mescla com a moda e pego ela para mim”, conta. A profissional diz que gosta de misturar ícones antigos com novos, e ressalta: “É um tema fortíssimo e atemporal. Todos que gostam de moda deveriam pesquisar mais sobre essa influência da religião.”

Estudiosa, Ucha garante ter lido muito sobre o tema e arrisca dizer que a moda é o que é hoje por conta da religião: “São diversas influências que incluem o estilo, a forma de usar acessórios, além de cores, temáticas, polêmicas e muitas outras.” A profissional completa: “a moda e a fé estão intimamente atreladas uma à outra.”

Tais referências são nitidamente encontradas nas peças da Dolce & Gabbana. Adepta de temáticas fortes e propositalmente passionais na hora de bolar suas coleções e desfiles, a label sempre usou a devoção como ponto de partida para criação das peças. A última, desfilada na Semana de Moda de Milão, utilizou looks compostos por conjuntos de jogging, jaquetões de náilon ou denim e t-shirts com inscrições como "santa moda". Tudo ultradecorado, com destaque para as referências bizantinas (um dos temas explorados na última coleção de Alta Moda, em Palermo) e as inscrições pop saídas de cartoons.

No ano passado, a modelo Halima Aden ganhou fama mundial após concorrer ao o título de Miss Minnesota usando um hijab e um burquíni. De família somali e nascida em um campo de refugiados no Quênia, Halima emigrou para os Estados Unidos aos 6 anos e não deixou a religião muçulmana e seus costumes entrarem no caminho do seu sonho de virar modelo. Logo após o concurso, Halima estampou capas de revistas como a Vogue Arábia e as versões americanas da Allure e da Glamour, além de ter cruzado as passarelas de marcas como Max Mara e Alberta Ferretti na semana de moda de Milão – sempre com looks cobertos e lenços na cabeça.

Na temporada de inverno 2019,  Max Mara repetiu a dose e, além de Halima, escalou outra modelo muçulmana para seu desfile, a também somali Amina Aden. Em Nova York, a apresentação da Adidas Originals também contou com a presença de uma modelo muçulmana devidamente vestida e em Londres, o desfile super fun de Molly Goddard, no qual as modelos tomavam vinho e petiscavam legumes no cenário que lembrava uma cozinha industrial,  contou com um casting bem variado, que também inclui uma modelo, Ikram Abdi Omar, cujos cabelos apareciam sob um hijab.

A capital britânica recebeu neste ano a segunda edição da London Modest Fashion Week, evento paralelo à semana de moda londrina que destaca marcas e criadores focados no “modest dressing”, expressão que pode definir o código vestimentário muçulmano. Foi durante o evento que Lindsay Lohan apareceu, com os cabelos devidamente cobertos, na primeira fila de um desfile, reiterando os boatos de que teria se convertido ao islã e garantindo a midiatização do ainda restrito evento. “A moda não precisa ser sempre tão despida, pode ser aventurosa e bela com um forte grupo de mulheres por trás”, disse a atriz em entrevista.

Ainda que seja um tema delicado, o modest dressing é uma tendência inevitável – prova maior é o lançamento da edição Arabia da Vogue em março de 2017. É esperar para ver a evolução e como o movimento ganha, pouco a pouco, seu espaço dentro do universo fashion.

A África possui uma longa tradição têxtil e os tecidos, feitos à mão em teares e tingidos em grandes potes de barro com ervas naturais, tem suas estampas e cores destinados não apenas para a decoração. O tecido africano fala. Cada estampa e motivo representa um nome ou um provérbio, e contam histórias de relações familiares da comunidade e da realeza. Esses padrões e cores foram assimilados à cultura brasileira, de modo que encontra-se vestidos, saias, túnicas, lenços inspirados nos temas africanos. Os tecidos têm tanto reconhecimento mundial que são usados em grandes premiações. A estilista Nadir Tati criou o vestido que a atriz congolesa Rachel Mwanza usou no Oscar 2013.

Um adereço importantíssimo para completar o traje é o turbante. Chamado de Gele, que significa "pano amarrado à cabeça", é adornado de diversas maneiras para criar diferentes efeitos e formas. O resultado das combinações de cores e texturas é impressionante.


Livro "Verão Passado" traz fotos marcantes desde a década de 80

Livro "Verão Passado" traz fotos marcantes desde a década de 80

Fotógrafo Gustavo Malheiros selecionou fotos de Rômulo Arantes Neto, Flavio Canto, Fernando Fernandes e Cynthia Howlett entre outros para lembrar verões inesquecíveis
 

Momentos marcantes de verões passados, desde a adolescência nos anos 80 até hoje. Esse é o fio condutor do novo livro do fotógrafo Gustavo Malheiros. O projeto reúne em 280 páginas imagens do cotidiano de praias – e festas – ao redor do mundo. Uma época onde é possível aproveitar o esporte, a natureza, a música e os amigos como se o Sol não fosse se pôr jamais.

Gustavo selecionou imagens de temporadas na Indonésia, Havaí, Califórnia, Rio de Janeiro, Hossegor (França), Costa Rica e Guarda do Embaú, em Santa Catarina). Sempre em busca do verão perfeito, o fotógrafo eternizou momentos com os amigos, pessoas locais que foi conhecendo, novos costumes e paisagens.

Na imagem em destaque, Gabriel Stauffer e Natasha Jascalevich, por Gustavo Malheiros