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#Beychella: confira os detalhes dos looks de Beyoncé no Coachella

#Beychella: confira os detalhes dos looks de Beyoncé no Coachella
collaborated Theodora Zaccara
photo Reprodução/Instagram

Um momento histórico: foi com grandes elogios e chuva de hipérboles que expectadores do mundo inteiro descreveram a apresentação de Beyoncé, headline durante o primeiro final de semana do festival de música Coachella. Após dar a luz aos gêmeos Rumi e Sir, a diva voltou aos palcos em formato triunfal, mesclando referências monarcas aos acordes de uma banda marcial completa, além de um mar de dançarinos acompanhando cada movimento da “Mrs. Carter”. 

Atração à parte, os looks, no plural, fizeram jus à produção megalômana da Queen Bee. Do bodysuit cravejado de pedras acompanhado de capa e coroa, ao moletom amarelo com short jeans, passando pelo vestido camuflado feito para a reunião das Destiny´s Childs, cada ponto-cruz leva a assinatura de Oliver Rousteing, diretor-criativo da francesa Balmain. Nem os dançarinos escaparam das mãos do designer: os looks “minion", com boinas e calças de vinil, também levam o nome da grife. “Irei lembrar para sempre”, compartilhou o estilista nas redes sociais.  

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Entrevista com Pieter Tjabbes, curador da exposição sobre Basquiat

Entrevista com Pieter Tjabbes, curador da exposição sobre Basquiat
collaborated Bruna Nardelli e Roberta Pinheiro
photo Reprodução

O sotaque ainda esconde marcas de um holandês que veio para o Brasil há alguns anos. Pieter Tjabbes, curador da mostra Jean Michel Basquiat - obras da coleção Mugrabi que inaugurou ontem, 21, no Centro Cultural Banco do Brasil, pousou em terras tupiniquis para conhecer a Amazônia. Acabou se encantando pelo país e aqui construiu sua vida. Trabalhou no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), atuou como Gerente Internacional da Bienal de São Paulo e também foi curador de inúmeras mostras. A partir da experiência, fundou a Art Unlimited, empresa de produção cultural que reúne uma equipe responsável por todos os aspectos da curadoria e da realização de uma exposição.

A paixão pela arte começou logo cedo e surgiu da convivência com o avô, um apreciador da arte antiga. Em casa, Pieter também estava em constante contato com obras de arte. Os pais tinham um acervo e levavam o filho em frequentes visitas aos museus. Aos 15 anos, ele conta que já gastava a mesada comprando catálogos do museu da cidade.

Quando chegou a hora de escolher a faculdade, apesar de amar o universo artístico, o pai de Pieter não considerava o gosto do filho como uma profissão rentável e de sucesso. Para agradá-lo, o curador ingressou no curso de Direito. Contudo, não deixou de lado o sonho latente. Em paralelo, cursou História da Arte. O curador conseguiu conciliar os dois e chegou a concluir as duas graduações.   

Ele conta que, quando decidiu vir ao Brasil, escreveu uma carta pedindo para estagiar no Museu de Arte Moderna de São Paulo. O desejo foi aceito e desde então Pieter trabalha com o que sempre lhe inspirou. No currículo, o curador tem, além da Bienal e do MAM, exposições de grande reconhecimento do público, entre elas Mondrian e o movimento De Stijl, O mundo mágico de Escher e Rembrandt e a arte da gravura.

Várias fases fazem parte do processo de criação de uma mostra. A concepção, fazer orçamentos, planejar a reprodução. Para Pieter, talvez a mais custosa seja convencer os grandes museus e colecionadores para emprestarem as obras. A exposição do Mondrian, por exemplo, levou anos de convencimento. Neste processo, o curador mostra todo o projeto, o material gráfico e convida as pessoas a conhecerem os espaços do Brasil, as transportadoras e os aeroportos.   

Durante sua passagem por Brasília para inaugurar a mostra de Basquiat, o curador conversou com o GPS|Lifetime:

Como nasce um projeto de exposição?

A gente trabalha muito em parceria com o Banco do Brasil. Eles têm possibilidade de patrocínio e um espaço bom para expor. Para nós, é sempre um desafio, porque o Banco já espera projetos grandes. Mas, também faço exposição de artistas mais jovens. Faço muito por afinidade minha e também de artistas que eu acho que estão na hora de mostrar para o Brasil, como é o caso do Basquiat. A arte dele reverbera até hoje e tem a similaridade entre a situação dos Estados Unidos no final dos anos 1970 e início de 1980 e nossa situação aqui. É um artista que tem uma conexão com os jovens e o fato de nunca ter tido, aqui, uma exposição grande dele são todos elementos oportunos. Outros assuntos, às vezes, surgem e caem na graça e quem decide é a grade de exposição. A gente começou com a exposição do Escher que foi um sucesso enorme de público, mas era uma exposição extremamente interativa. Isso é uma coisa que a gente implantou aquela vez, lógico numa proporção que não dá para fazer com todos os artistas, mas nos mostrou que se você dá um passo em direção ao público, você tem um retorno muito grande. As pessoas reconhecem e vem.

As exposições da Art Unlimited costumam, realmente, ter aspectos lúdicos, interativo e educativo. De que forma, isto é importante no projeto?

Acho que a gente tem o dever de atrair novos públicos. Apesar do Brasil ter uma visitação muito grande nas exposições de um modo em geral, o potencial de pessoas que nunca foram ao museu é gigante. Se você compara com EUA e Europa, a porcentagem das pessoas que frequentam museus ainda é muito pequena. Então, a gente quer atingir essas pessoas. A arte é algo que educa, que forma personalidades, é essencial na vida. Se a gente consegue proporcionar isso para mais pessoas é ótimo.

O que trouxe da sua experiência de trabalho na Bienal?

A Bienal é justamente o que eu não faço agora. É um trabalho muito grande, com muitas informações e muitos artistas ao mesmo tempo. Fiz isso com muito gosto, mas acho que para o público é mais difícil. Você não tem uma linha e, em uma visita de duas horas e meia, você tem que assimilar várias linguagens diferentes. Outra coisa, numa Bienal, você faz tudo em largos passos e largos movimentos, então o cuidado com pequenos textos, com uma etiqueta, com a pintura das paredes, a iluminação, por natureza do evento, você não consegue. Quando a gente saiu da Bienal, a primeira coisa que falei foi "vamos fazer poucas exposições e muito bem feitas". Isso é uma coisa que satisfaz. A bienal satisfaz de outra forma, pelo agito, pela adrenalina. Hoje consigo mergulhar mais, dar vazamento para o meu lado intelectual de historiador de arte, de pesquisar e fazer uma escolha que dá jus a carreira do artista.

Como escolheu as obras que compõem hoje a exposição do Basquiat e o que é imperdível?

Fizemos uma leitura cronológica para facilitar, tendo em vista que é a primeira vez que muitos estão diante de trabalhos do Basquiat. Tem que ser didático. Ver um pouco como o artista cresceu, os elementos que voltam na obra. A gente teve a sorte de poder escolher dentro de uma coleção que tem obras primas de todas as épocas do artista. A coleção Mugrabi é a maior do mundo. Dizer o que é mais importante é difícil. O público pode escolher. O que recomendo muito é vir com o tempo. Tem um filme que não é obrigatório que mostra de forma muito legal onde este artista estava vivendo, e o ator principal é o próprio Basquiat.