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No Dia da Cachaça, conheça alambiques perto de Brasília

No Dia da Cachaça, conheça alambiques perto de Brasília
collaborated Andressa Furtado
photo Celso Junior

A 90 quilômetros de Brasília, Alexânia (GO), fazendas têm utilizado a cana-de-açúcar na produção de aguardente de boa qualidade, consolidando o município como um dos grandes polos cachaceiros do País

 

Como a tequila, no México, e o champanhe, na França, os produtores de cachaça no Brasil finalmente têm seus status readquirido e se posicionam no mercado mundial como artesãos da primorosa bebida brasileira. Na rota dos alambiques, encontra-se o emergente solo do Cerrado e seus produtores artesanais. Homens apaixonados pelo produto, dispostos a fomentar o segmento.  Altitude elevada, aridez e temperatura com pouca variação favorece o cultivo da cana-de-açúcar. Há quem aposte que quanto mais seco o clima, mais doce a matéria-prima.  

Foi nos idos do colonialismo que a cachaça rapidamente tornou-se unanimidade. Portugueses, índios, africanos se encarregaram de formatar tal herança cultural que ainda hoje nos caracteriza como identidade nacional. Atualmente, produtores têm regras a seguir, se quiserem usar o termo para nomear a bebida que produzem. A Indicação Geográfica, que reconhece a cachaça como produto genuinamente brasileiro, saiu do papel depois de 15 anos de espera. Para se adequar às regras, a aguardente de cana precisa ter graduação alcoólica entre 38% e 48% e os estabelecimentos que desenvolvem o produto devem ser fiscalizados pelo Ministério da Agricultura a cada dois anos para quem vende para o mercado interno e uma vez por ano para quem exporta. 

 As características do solo, do clima da região e as condições topográficas colaboram e muito para fomentação desse mercado, que ainda sofre com a informalidade e a ilegalidade.  Um inventário feito pela Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás apontou a existência de 1.522 alambiques no Estado. Deste montante, apenas uma minoria tem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e atende às normas de boas práticas de produção.

 “Fundamos a Associação Goiana de Produtores de Cachaça de Alambique (AGOPCAL), que reúne um grupo de produtores de diversas cidades goianas que se inscreveram no Ministério da Agricultura. Esse registro é obrigatório por lei. Muitos outros produtores estão se organizando para obtê-lo, mas, como se pode imaginar, a maioria tem receio de enfrentar a burocracia e a tributação”, conta o ex-ministro aposentado e dono da cachaçaria DoMinistro, Carlos Átila. 

 O governo do Goiás também criou o Arranjo Produtivo Local da Cachaça para incentivar a legalização e o aprimoramento da produção da boa cachaça de alambique no Estado. “O Sebrae também tem dado apoio ao desenvolvimento do setor”, completa. 

 

Alambique Cambéba

 Intitulada de “Toscana de Goiás”, a Cambéba existe desde 1993. Saídos de Caucaia, no Ceará, a família do empresário Galeno Furtado é produtora cachaça há mais de dois séculos. “Escolhemos esta região porque o solo é rico em água”, explica. 

 Com linha de produção própria e canas selecionadas 100% orgânicas, a cachaça é desenvolvida dentro dos mais rígidos padrões normativos mundiais, por isso sua produção é feita em pequena escala.  O ponto alto das belezas e especiarias que compõe a refinada produção é, com certeza, a charmosa adega subterrânea, a cinco metros de profundidade, onde ficam armazenados os barris de carvalho, contendo a bebida. O aroma é inebriante, a atmosfera do lugar é envolvente, e quem tem a oportunidade de conhecer, entende facilmente o espírito do produto.

Não podemos esquecer do bistrô, que fica localizado dentro da fazenda, comandando pelo chef francês La Croix. Além de visitar o espaço e degustar as cachaças gratuitamente, os visitantes podem se deliciar com pratos bem elaborados. Um cardápio enxuto, mas com variedade para atender a todos os gostos: carnes, frutos do mar, massas e risotos. Cervejas comuns e artesanais, doses da Cachaça Cambéba e drinks harmonizam o menu. 

 Boa parte da produção do alambique é exportada para Estados Unidos e Europa. “O governo do Goiás nos ajudou muito nesse processo”, conta Galeno. Atualmente, a Cambéba trabalha com seis rótulos de cachaça pura e envelhecida por um, três, cinco, sete e dez anos. “A mais vendida é a de três anos, devido ao seu custo-benefício”, compartilha o empresário. O valor das garrafas varia entre R$ 50 a R$ 240. A aguardente de cana da fazenda Cambéba é vencedora de diversas premiações internacionais, nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Inglaterra. 

 

Serviço

Rodovia BR 060 - Km 21, Serra do Ouro, Fazenda Brioso, Alexânia (GO)

Telefones: (62) 3336-2220 | (61) 9981-5868

 

DoMinistro

 O diplomata e ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Carlos Átila, é o fundador da cachaça DoMinistro, que recebeu este nome porque sempre presenteava amigos e parentes com garrafas de aguardente produzidas por ele mesmo. Nascido em Nova Lima, Minas Gerais, em 1938, e prestes a completar 80 anos, Carlos comanda sua cachaçaria ao lado do seu gerente, José Ribeiro, que trabalha com ele desde 1990, além dos filhos Alexandre, que cuida da administração contábil e financeira, e Patrícia, que administra a divulgação, a publicidade e a promoção da cachaça, e do seu neto Eduardo, responsável pelo setor de vendas.

 “Quando eu era adolescente, na década de 1950, o uísque escocês começava a ser vendido no Brasil, e logo tomou conta do mercado de destilados.  Cachaça boa dificilmente se conseguia no comércio. Era coisa rara. O mercado de destilados de boa qualidade foi ocupado pelo uísque, pelo conhaque e pelo rum importados, e a cachaça ficou relegada a consumidores sem poder aquisitivo. Acho que imperou o “complexo de vira-latas” de que falou o Nelson Rodrigues: cachaça para os pobres, uísque para a elite”, relembra Átila. 

De 1980 em diante, começaram a aparecer com maior frequência cachaças de alambique de melhor qualidade no comércio brasileiro. Em 1995, o empresário decidiu produzir na fazenda que possuía em Goiás, perto de Brasília, suas primeiras bateladas de cachaça num alambique rudimentar que um vizinho possuía. O destilado saiu de boa qualidade. Daí resolveu investigar melhor quais são as boas práticas necessárias para fazer a boa cachaça. 

Atualmente, a cachaça DoMinistro tem duas variedades. As brancas, uma é a Tradicional, que é destilada e descansada em dornas de aço inox por alguns meses, antes de ser engarrafada. Assim, não adquire cor nem sabor de madeira. Por isso é muito apropriada para fazer caipirinha e outros drinques. A outra é a Prata. “Essa cachaça acaba de receber a Medalha de Ouro no Concurso de Degustação de Bruxelas”, compartilha. 

 No quesito amarelas, eles trabalham com a Ouro, Amburana, Extra Premium 3 anos, Extra Premium 5 anos, Extra Premium 5 anos + Amburana. “Esta última recebeu a Medalha de Ouro na Expocachaça de Belo Horizonte em 2016.  Foi muito importante obter essa premiação, pois a gente tem ali uma avaliação objetiva e isenta da qualidade do produto, pois o prêmio é dado por um grupo qualificado de provadores, que escolhem as melhores cachaças em uma degustação às cegas, ou seja, eles não sabem a marca da cachaça que estão provando e, portanto, escolhem com total isenção”, finaliza. 

 

Serviço

Rodovia BR 060 - Km 29, Alexânia (GO)

Telefones: (61) 98128-3188 | (61) 3321-2366 | (62) 3336-1310

Site: www.cachacadoministro.com.br


Kakay celebra casamento em Arraial d'Ajuda

Kakay celebra casamento em Arraial d'Ajuda
photo Cortesia

Durante os votos de felicidades aos noivos, célebre jurista homenageou a mulher, Valéria

 

A pedido dos pombinhos, o renomado advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, celebrou a união de Bibi Moura e Frederico Vilaça nesse sábado 22, em Arraial d'Ajuda, Bahia. De clima bucólico, a cerimônia contou com a presença de 300 convidados, e foi de emocionar. 

Para tornar o momento especial, Kakay imprimiu, para cada invitado, três poesias, incluindo Eros e Psique, de Fernando Pessoa. Logo no início do discurso, o jurista pediu para que todos o acompanhassem na leitura dos versos. 

Após o coro, o orador discorreu sobre o amor, a solidariedade, a paixão e a importância da individualidade em um relacionamento a dois. Também prestou homenagem a mulher, Valéria, desejando aos recém-casados a mesma felicidade que vivencia ao lado da amada. 

Abaixo, confira o discurso na íntegra. 

"É muito difícil falar sobre o amor para pessoas tão jovens. Mas eu vejo na Bibi e no Frederico um amor maduro, se é possível falar em maturidade na idade deles. Mas o amor, queridos, não tem que ter a densidade da maturidade, basta-lhe a densidade dele em si. E não estou a dizer do amor pelos pais ou, meu Deus, pelos filhos, falo do amor carnal, do desejo, da paixão, da angústia da falta, da ansiedade do toque, do cheiro... deste amor que mantém a humanidade, que reproduz, que fragiliza mas eterniza. Conheci, Bibi e Frederico, este amor maduro na Valéria e, se eu puder desejar algo a vocês dois, desejo que sejam felizes como eu sou com ela, todos os dias da minha vida. Tesão, respeito, solidariedade, paixão fazem a hipótese da vida a dois. A melhor maneira de ter uma vida de casal, talvez a única, é ser inteiro e ter uma vida própia. Nunca abrir mão dos sonhos, dos delírios e não achar que tudo tem que ser vivido a dois. A solidão faz bem. É um direito nosso. Mas, se eu não tivesse encontrado a Valéria, meus momentos de solidão seriam pesados e não intensos e felizes como são. Quero para vocês a alegria que eu tenho de compartilhar o mundo com esta mulher, de aprender todos os dias com ela. E, quando os Ericos chegarem, nesta materialização do amor indizível, quero que vocês continuem a ser um casal apaixonado, dedicado, entregues ao amor a dois. Ser feliz é uma conquista diária, as vezes árdua, mas vale a pena. E nós temos, sobre nossas vidas, o manto celeste que nos abriga e protege. É uma alegria compartilhar este momento com vocês". 

Valéria e Kakay, eternos enamorados