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Experiência tapajônica: no meio da floresta, a bela Alter do Chão

Experiência tapajônica: no meio da floresta, a bela Alter do Chão
photo Arquivo pessoal

A paraense Alter do Chão, uma vila no meio da Floresta Amazônica e na beira do Rio Tapajós, encanta pelas suas belezas naturais e seus sabores. Ela vai conquistar seu coração

 

Quando comecei a falar aos amigos e familiares que passaria o ano-novo em Alter do Chão, no Pará, posso assegurar que 90% pedia para eu repetir o nome e nunca tinha ouvido falar. Confesso que eu mesma não conhecia muito do lugar, só os relatos por alto de uma amiga paraense e de outra que já tinha ido duas vezes e voltado apaixonada. Jamais imaginava que seria profundamente tocada pela energia forte da natureza na região Norte do Brasil.

Nunca tinha estado na Amazônia. A parada é no aeroporto de Santarém, terceira maior cidade do Pará. É importante ressaltar: há vôos diretos de várias capitais do Brasil, inclusive de Brasília.

De lá, 40km de carro até o destino final: o vilarejo de Alter do Chão. Minha amiga paraense já tinha me falado que lá tudo é muito simples. E realmente é. A hospedagem se dá em pousadas, casas alugadas ou barcos. Se preferir, o turista pode optar por ficar em Santarém e alugar um carro para ir até Alter diariamente.

O vilarejo foi fundado no século 17. Todos os períodos são lindos, mas, por conta do volume do rio, a maior época de visitação é de julho a janeiro. O lugar é frequentado por manauaras e paraenses, mas o réveillon tem agitado a região.

A empresa paulistana Soul Kitchen e o restaurante paraense Casa do Saulo realizam o projeto Vai Tapajós, com cada vez mais adeptos. Este ano, eram cerca de 800 pessoas, a maioria paulistas. Eu estava lá por conta das festas, mas fui conquistada mesmo pela energia do Pará.



Primeiro dia de passeio foi para conhecer a Ilha do Amor. Saindo da praça central da vila, o acesso é por pequenas canoas que os nativos da região comandam a remo até o outro lado. Barracas com bebidas e comidas, clima quente típico do verão brasileiro, água cristalina. Impressionante pensar que a ilha só existe metade do ano, já que na outra o Rio Tapajós sobe e cobre toda a areia.



Comecei a entender porque Alter do Chão vem sendo chamada de Caribe Brasileiro. Não era prepotência. É realmente lindo. Foi minha primeira vez em praia de rio. A água doce é morna e calma, bem diferente do agito do mar. Esqueça aquela imagem de rio com barro, sujo, pequeno.

O Rio Tapajós tem uma imensidão que nos lembra o mar, dificilmente conseguimos ver a outra margem, além da areia branca e água transparente. Os passeios de barco são encantadores. Se for percorrer maiores distâncias, prefira os barcos maiores, pois sacodem menos. Antes de embarcar, verifique o estado do barco e os itens de segurança, como coletes.



Em uma direção, tem Ponta de Pedras (bem turístico, fica cheio aos fins de semana e feriados). Sugiro almoçar no Panela de Barro, um restaurante onde o cardápio está nos isopores. Basta abrir e escolher seu peixe, que é assado na hora. Vale ir também ao Lago Preto, bom para banho, com água límpida apesar do nome - foi batizado assim porque as folhas verdes das árvores ficam pretas quando caem na água. A natureza sempre surpreendente.

Tem ainda o Lago do Tapari, onde se pode ver patos selvagens. Dê uma paradinha na Ponta do Tapari para apreciar a vista do rio e a areia branquinha. E o pôr do sol mais famoso é na Ponta do Cururu. Chegue cedo para pegar um bom lugar, já que fica bem cheio.

Para o mesmo lado, mas talvez seja melhor fazer outro dia, ainda tem o encontro do Rio Tapajós com o Rio Amazonas. Eles se encontram, mas não se misturam por conta da diferença de densidade das águas. Visualmente, dá para ver que o Amazonas é um pouco mais barroso e agitado. Esse passeio sacode bastante por conta da água, então pegue um barco com um motor melhor. Os mais corajosos arriscam um mergulho entre os dois rios. Eu preferi só apreciar a mistura das águas de um lado, com a vista para a cidade de Santarém do outro.



Na direção oposta desses passeios há uma praia linda e com estrutura que vale passar o dia, que é a Pindobal, onde se come a melhor arraia. São 30 minutos de barco. No fim do dia, recomendo o pôr do sol em Muritá, uma praia deserta menos concorrida que o Cururu, bom para ver os botos. Aliás, foi interessante saber que existe o boto rosa e o boto tucuxi, que é cinza. O rosa é mais bravo.

Em setembro, Alter realiza um festival folclórico, chamado Festa do Sairé, onde há uma competição entre as torcidas dos botos, com fantasias, carros alegóricos e muita música. No estilo da festa de Parintins, no Amazonas. E há uma lenda que, à noite, o boto vira um homem conquistador que já teria engravidado moças por lá.

A experiência amazônica fica completa com o passeio na Floresta Nacional do Tapajós, uma unidade de conservação. Você pode ir de barco ou carro e fazer uma das duas trilhas, uma mais curta e outra mais longa. Neste dia, vá com roupas e tênis confortáveis, repelente, leve água e um lanchinho para beliscar, e prepare-se para ver uma sumaúma com idade estimada em mil anos - dizem que precisa de 30 pessoas para conseguir abraçar seu tronco. Tem ainda a possibilidade de subir a Serra da Piraoca, cerca de uma hora de trilha, e ver Alter do Chão de cima.
 

Impossível falar de Alter do Chão sem passar pelo paladar. O centro da vila é movimentado na alta temporada, por isso, não saia para comer muito tarde, porque, às vezes, alguns ingredientes acabam e as opções dos cardápios diminuem. Bolinho de piracuí (uma farinha de peixe) é uma entradinha típica. Os peixes de rio são mais saborosos do que qualquer um que você já tenha comido na vida. E não deixe de experimentar a cachaça com jambu. Adormece a língua e é bem tradicional. E ainda caipirinhas com frutas locais, como taperebá e cacau, ou sorvete de açaí (de verdade, o original) e de tapioca.

No centro, tem barraquinhas com pratos típicas, como pato no tucupi, vatapá e tacacá - e artesanato local, caso queira levar uma lembrança. Se quiser algo mais requintado, opte pelo Espaço Gastronômico Alter do Chão, onde é possível ouvir o tradicional ritmo paraense, o carimbó; Do Italiano, de um casal formado por uma paraense e um italiano; além do Ty, Farol da Ilha e Arco-íris.

Mas a verdadeira experiência gastronômica é na praia de Canarapari,  na Casa do Saulo, a alguns quilômetros do centro. Dá para chegar de barco ou carro. O ambiente e a vista aérea para a praia são especiais.

O proprietário é o paraense Saulo Jennings, que ganhou como melhor chef da Região Norte pelo Prazeres da Mesa no ano passado. Ele tem um talento nato em criar pratos saborosos a partir da mistura de ingredientes locais. Peixes de rio, como pirarucu, filhote, tambaqui, tucunaré e surubim, aviú (micro camarão de rio) com tucupi, jambu, farinha de mandioca e frutas típicas, como cupuaçu, taperebá, e ervas. Experimente o prato que leva o nome do local, um peixe filhote com um molho de castanha, banana da terra frita e camarões.

A comida, o visual, a imensidão do rio, as praias, o pôr do sol, a culinária. Impossível sair de Alter sem ser tocado pela sua cultura, pela natureza e pela sua energia. Mais que uma viagem, é uma experiência. Vi os pores do sol mais lindos da vida.

O silêncio, a água do Rio Tapajós, a paz e a Amazônia. Você sai de lá envolvido com a vibração paraense. Acho que não serei mais a mesma depois desses dias por lá. Que jeito incrível de começar o ano. Feliz 2019, pessoal!


Bolsonaro embarca hoje para Davos, em sua 1ª viagem internacional

Bolsonaro embarca hoje para Davos, em sua 1ª viagem internacional
collaborated Agência Brasil

Presidente defenderá reformas e compromisso com a democracia

 

Com uma agenda voltada para a defesa da abertura econômica, do combate à corrupção e do compromisso com a democracia, o presidente Jair Bolsonaro embarca neste domingo, 20, às 22h, para Davos, na Suíça, onde participará do Fórum Econômico Mundial. Ele viajará acompanhado dos ministros da Economia, Paulo Guedes; das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Em sua 39ª edição, o Fórum Econômico Mundial reúne a elite política e econômica global para discutir a conjuntura mundial e estimular a cooperação entre governos e o setor privado. Na estreia de Bolsonaro no exterior, o governo pretende vender a empresários e a políticos a imagem de que a economia brasileira está modernizando-se, com abertura comercial, segurança jurídica para os investidores externos e reformas estruturais.

O presidente pode discursar na terça-feira, 22, num painel sobre a crise na Venezuela, e tem até 45 minutos reservados para falar na sessão plenária do fórum às 11h30 de quarta-feira, 23, no horário local, 8h30 em Brasília. Bolsonaro também pode discursar no painel O Futuro do Brasil, marcado para logo após a sessão plenária.

Na noite de terça, o presidente terá um jantar privado com os presidentes da Colômbia, Iván Duque; do Equador, Lenín Moreno; do Peru, Martín Vizcarra; e da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada. Os cinco presidentes latino-americanos assistirão a uma apresentação do presidente executivo da Microsoft, Satya Nadella.

Para quarta-feira, 24, está prevista a participação do presidente num almoço de trabalho sobre a globalização 4.0, que trata da quarta revolução industrial proporcionada pela tecnologia e é o tema do Fórum Econômico Mundial neste ano. Em seguida, a comitiva retorna para Zurique, de onde embarca de volta para Brasília, chegando à capital federal na manhã de quinta-feira, 25.




Ministros

Os ministros terão agendas paralelas em Davos. Paulo Guedes tem previstas reuniões com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e encontros bilaterais com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo; com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Roberto Moreno; e com o secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, John Denton. O ministro da Economia também se encontrará com o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin.

Guedes também pretende reunir-se com empresários das áreas de infraestrutura, logística, energia e tecnologia e representantes de fundos de investimentos e fundos soberanos. Nos encontros, o ministro informará que a equipe econômica trabalha numa agenda calcada em quatro pilares: reforma da Previdência, privatizações, reforma administrativa e abertura comercial.

Segundo o Ministério da Economia, Guedes informará que o Brasil pretende dobrar os investimentos (público e privados) em pesquisa, tecnologia e inovação nos próximos quatro anos e a corrente de comércio – soma de importações e exportações – de 22% para 30% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país).

A abertura comercial defendida por Guedes ocorreria de forma gradual, acompanhada de um programa de desburocratização e de redução de impostos para empresas para não sacrificar a indústria brasileira. A diminuição de tributos seria financiada por privatizações e pelas reformas que conterão ou reduzirão os gastos públicos nos próximos anos.