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Homenageado em BsB, Roberto Menescal segue com notável trajetória

Homenageado em BsB, Roberto Menescal segue com notável trajetória
collaborated Paulo Pimenta
photo Reprodução

Para celebrar 80 anos, Roberto Menescal se mantém calmamente incansável. Entre o cultivo de bromélias e o dedilhar no violão, um dos protagonistas da bossa nova segue veemente com sua notável trajetória. Esta semana, músico é homenageado em BsB

 

Esta semana, Roberto Menescal é homenageado pelo  Prêmio Profissionais da Música (PPM), idealizado pelo músico e produtor  Gustavo Ribeiro de Vasconcellos. O evento começou na terça-feira, 16, e segue até o aniversário da cidade, no sábado, 21, em vários espaços de Brasília. Para relembrar a carreira do fundador da Bossa Nova, o GPS|Lifetime publica matéria que estampou as páginas da edição número 18.

A impressão é de que Roberto Batalha Menescal leva mesmo a vida na bossa. Um dos fundadores do gênero musical, a Bossa Nova, no dia em que completou 80 anos, o músico desligou o celular e gastou as primeiras horas da nova idade com alguns projetos em um local na casa intitulado carinhosamente de Refúgio. Só à noite, encontrou os três filhos para comemorar a chegada de mais um ano de vida. Menesca, como os amigos o chamam, é grato ao passado, mas o pensamento está sempre no que há de vir. Não tem pressa. Não tem medo da vida. Vive o que aparecer pela frente. Confiante, vai.

Pela manhã, após despertar, o capixaba, radicado no Rio de Janeiro desde a infância, dedica-se às bromélias que cultiva em casa. São 30 mil delas. Após uma hora e meia de cuidados diários, Menescal segue para a música. “As plantas são necessárias para esse sopro de vida que recebo toda manhã. Sem elas, eu não seria o cara que sou hoje. É paixão mesmo”, conta.

As bromélias também dividem a casa com sua mulher Yara Menescal, de 77 anos, três cachorros, três gatos e sete tartarugas. Os filhos já não moram mais com o casal. Entretanto, apesar da importância que têm, as plantas nunca ganharam uma canção. “Ali é onde eu respiro, onde eu mudo meu ar. Um é trabalho, o outro é o pulmão”, justifica Menescal.

Eu e a música

Aos 11 anos, Menescal e o irmão ganharam uma gaita de plástico. Os meninos passaram o dia brincando com o presente novo e, à noite, mostraram o que haviam aprendido. O irmão não se saiu bem, mas Menescal surpreendeu o pai. Quando ouviu do filho que ele aprendeu sozinho, viu que o garoto levava jeito para a música e resolveu colocá-lo na aula de piano.

Mas elas não duraram muito. Com 12 anos, o menino-prodígio da música se incomodava com a quantidade de regras. “Achei muito chato porque era rígido demais. Só podia fazer aquilo. Não podia botar uma nota diferente que a professora batia com a varinha nos meus dedos”, recorda.

Foi nas férias em Vitória, no Espírito Santo, aos 17 anos, que Menescal começou a ter contato com o violão, instrumento que o tornaria mundialmente conhecido. “Aquilo foi um estouro na minha cabeça”, lembra. Ao voltar para o Rio, começou a se reunir com alguns amigos na casa da cantora Nara Leão para tocar o instrumento. Tempos depois, fariam, juntos, uma turnê da bossa nova.

Nara

Menescal conheceu Nara alguns anos antes, quando ele estava prestes a completar 15 anos. Para celebrar a ocasião, resolveu dar uma festa. Como na turma em que andava havia apenas três meninas, passou a chamar as garotas que passavam em frente ao colégio. E Nara era uma delas. “Quando era um aniversário assim, todo mundo se vestia muito bem. Eu conhecia aquelas meninas de uniforme, gravatinha azulzinha. Quando eu abri a porta, entrou Nara com um vestidão azul-marinho, meio tomara que caia. Levei aquele susto com ela e com todas as meninas. Foi uma festança”, conta.

Menescal tirou a menina para dançar e, no meio de dois pra lá, dois pra cá, foi alertado por um amigo que Nara tinha apenas 11 anos. O rapaz ficou incrédulo. “Ela era muito desenvolvida fisicamente e culturalmente”, afirma. Mas Nara falou que estudava piano há três anos. “Então vou somar cultura: 11 mais três, 14. E me justifiquei com isso”, alega, sobre a saída encontrada para se tornar amigo de Nara.

Um ano depois, começaram a namorar. O relacionamento durou três anos. “Nara era a irmã que eu não tive. Eu tive três irmãos homens. Ela era minha companheira. Mesmo depois que a gente terminou o namorinho e ela começou a namorar o (Ronaldo) Bôscoli, nós ficamos amigos. Depois, eu me casei, ela se casou, foi morar do lado da minha casa, porta com porta”, lembra.

Bênção, bossa nova

Menescal conta que, no começo, eles não tinham noção de que estavam fazendo algo novo. Gostavam de jazz e curtiam samba-canção. “Mas 98% dos sambas-canção eram com aquelas letras ‘pesadaças’: ‘Ninguém me ama, ninguém me quer’; ‘Garçom, apague essa luz que eu quero ficar sozinho’; ‘Se eu morresse amanhã de manhã, minha falta ninguém sentiria’”, brinca.

Sentindo-se deslocados de uma melodia da qual gostavam, resolveram fazer uma letra “mais para cima” e brincar. “De repente, quando a gente viu, não tinha o nome bossa nova, mas já tinha música”, comenta. Até que um dia Sylvinha Telles avisou que faria um show em Laranjeiras e perguntou se eles não queriam dar uma canja por lá. Ao chegarem ao local, viram na placa: “Hoje, Sylvia Telles e um grupo bossa nova”. Menescal achou que aquele era outro grupo e ficou preocupado se a banda não ficaria chateada com o fato de eles cantarem também. “Não, rapaz, é que eu não sabia o nome de vocês e botei ‘um grupo bossa nova’”, esclareceu o funcionário da casa. “A gente falou: ‘opa, esse nome é nosso’”, lembra Menesca.

Bossa entre amigos

Esse primeiro grupo, aos poucos, desfez-se. Um virou médico, outro engenheiro. Menescal pensava em ser arquiteto, em fazer o exame para a Marinha ou em prestar o concurso para o Banco do Brasil. A coragem para ser músico veio após uma conversa com Tom Jobim – que ele sempre sonhou em conhecer – aos 19 anos.

Carlos Lyra e Menescal tinham uma escolinha de música. Em um fim de tarde, o ídolo bateu à porta para um convite inesperado: gravar a trilha sonora do filme Orfeu Negro. “Jobim era minha meta. Eu queria conhecê-lo, mas não conseguia, porque o cara estava em um padrão além. Eu nem acreditei quando abri a porta com Tom Jobim falando ‘Menesca, você ‘tá’ ocupado?’ Eu ocupado? Imagina se eu estaria ocupado”, diverte-se.

Depois de gravar, os dois jantaram juntos e Jobim perguntou o que Menescal queria fazer da vida. Ao contar que pensava em seguir por uma daquelas profissões, foi incentivado a largar os estudos e ser músico. “Eram as palavras que me faltavam”, recorda. Desse dia em diante, Menescal passou a fazer mais músicas e a firmar novas parcerias.

Os amigos foram chegando e ganhando espaço com Menescal. “Elis Regina, Tom Jobim e Sylvinha Telles foram meus ídolos. As pessoas que eu mais tive amor pelo trabalho, pelo convívio. Eu tenho paixão pelo Ivan Lins. Nem ele sabe que é tão bom”, completa.

Bye Bye Brasil

Além do apartamento de Nara Leão, os amigos também se reuniam na praia de Copacabana, na altura do Posto 4. Foi ali, inclusive, que Menescal e Yara se conheceram. Ela e uma amiga jogavam frescobol quando a bola caiu perto do músico. Aquilo rendeu uma conversa que logo se estendeu a um convite para ir à casa de Nara ouvir uns amigos tocarem violão. Os dois estão casados há 55 anos.

Porém, um tempo antes do casamento, Menescal recebeu uma ligação do Palácio do Itamaraty. Era o convite para participar do Concerto de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York. A princípio, ele negou. Tinha uma pescaria marcada com os amigos em Cabo Frio (RJ) na data – Menescal praticava caça-submarina. Quando soube da recusa do amigo, Jobim interveio. Falou da importância do evento e que o músico tinha de ir. “Aí eu fui obedecer ao mestre”, conta.

A noite de novembro de 1962 ficou marcada na história da bossa nova. Quando chegaram aos Estados Unidos, viram que a música deles já estava lá. Ao final do show em NY, foram convidados para se apresentar em Washington. Outros convites surgiram para ir para França, México, para continuar em Nova York ou ir para Los Angeles. A bossa nova correu o mundo. A turminha que fazia música toda noite, acabou. Cada um seguiu para um canto. Menescal, no entanto, tinha marcado o matrimônio com Yara, e voltou. “O casamento para mim foi bom. Minha base e segurança”, pontua.

Depois desse episódio, Menescal ainda rodou o mundo com Elis Regina e fez vários outros shows. Até que o artista foi convidado para ser diretor artístico da gravadora Polygram, hoje, Universal. Foram 15 de anos trabalho intenso com artistas como Alcione, Fagner, Fábio Júnior e Maria Betânia. O trabalho na gravadora foi interrompido com a notícia de que Nara, sua amiga de infância, estava com um tumor cerebral. Menescal pediu demissão para dedicar-se aos cuidados da amiga e, juntos, gravaram outros discos e fizeram novos shows. “Eu fiz o que ela precisava. Mas foi ela quem me fez uma coisa muito boa: ela me tirou daquilo ali e me botou na música novamente. Nós nos ajudamos até o final”, reconhece.

Mar Amar

A receita para a bossa nova não tinha segredo: talento, sal e sol. “Nossas músicas saíram do mar”, destaca. Canhoto, Menescal teve de aprender a tocar violão com a mão direita. No começo, como não tinha um instrumento próprio, precisou se adaptar aos violões dos colegas destros.

Fez do instrumento um amigo fiel e escudeiro. Foi com ele que compôs músicas, fez arranjos e foi para o palco. “Eu tenho sempre o violão do meu lado. É minha bengala. Imagina eu sem violão... Tenho um violão pendurado no meu quarto, do meu lado. Eu nem levanto. Deito na cama para ver o jornal, meio recostado, aí pego o violão. Nem sei o que estou tocando, mas estou dedilhando. Eu vejo uma senhora fazendo tricô. Meu tricô é o violão”, constata.

E foi entrelaçando os fios do seu violão que ele festejou os 80 anos, no último dia 25 de outubro. Como parte da comemoração, Menescal lançou alguns álbuns e se prepara para apresentar outros projetos. Junto ao Quarteto do Rio, colocou no mundo o disco Mr. Bossa Nova, com 11 canções autorais – uma com Chico Buarque, três inéditas e sete em parceria com Bôscoli. Deu vida também, em parceria com o escritor e letrista Abel Silva, a O Encontro Inédito, coletânea de uma dezena de músicas compostas em diferentes épocas. No dia em que conversou com a equipe da GPS|Lifetime, Menescal recebeu Bossa Nova Meets The Beatles, 11 hits do quarteto britânico em ritmo de bossa reinventados por Menescal. Houve ainda os shows de Dias de Luz, Festa de Sol, homenagem feita em alguns palcos do Centro Cultural Banco do Brasil espalhados pelo País. Fernanda Takai e Andy Summers, ex-guitarrista do The Police, também têm projetos no forno com o octogenário. Menescal não para.

E, assim, Menescal segue a vida. Calmo. Sem planos. À espera do que estiver a caminho. “Eu tive uma cota de ‘parabéns’ que nunca mais vou querer fazer oitenta anos. É muito trabalho”, ri. Diz que tem algumas camisetas com os dizeres “Festa, tô fora” e revela o segredo para chegar onde chegou: “Eu acordo, vou no espelho, o primeiro espelho que passo para escovar os dentes, dou um sorriso para mim e falo: ‘Vamos lá, cara?’ É um treino diário que faço e tem funcionado muito bem. Talvez eu nunca tenha estado tão bem na vida como eu estou com oitenta anos”, garante. No fim das contas, assim como em O Barquinho, a canção mais famosa dele, feita em parceria com Bôscoli, Menesca segue alegre em mais um “dia de luz, festa de sol”.

A volta

“Quero ouvir a sua voz e quero que a canção seja você”, é o trecho de A Volta, umas das músicas prediletas de Menescal, feita em parceria com seu grande amigo, Ronaldo Bôscoli. A boa notícia para os que querem ouvir a voz de Menesca, novamente, em Brasília, é que o artista será o homenageado do 4º Prêmio Profissionais da Música (PPM). Organizado pelo músico e produtor brasiliense Gustavo Ribeiro de Vasconcellos, a premiação acontecerá entre os dias 16 e 21 de abril de 2018, na Capital Federal. O prêmio é destinado a mais de 60 categorias e destaca diversos profissionais envolvidos desde a criação à circulação de produções musicais e audiovisuais.

#GPSNaCopa: Isabella Lim dá dicas de Moscou, uma das cidades sede do Mundial

#GPSNaCopa: Isabella Lim dá dicas de Moscou, uma das cidades sede do Mundial
collaborated Theodora Zaccara
photo Reprodução

Exímia viajante, Isabella Lim da a letra de como aproveitar a capital russa fora dos estádios

Sessenta e seis países em vinte um anos. Na matemática, a proposta é possível, mas apertada: três pátrias por mês. Na prática, é nada menos que a vida, história e paixão de Isabella Lim. Filha de pai chinês, a estudante de Publicidade nasceu com dualidade no sangue, e o gosto pelas cabines de avião - despertado logo na infância -, rendeu cliques em cartões-postais como Nepal, Islândia, Noruega, Tailândia e Rússia, nação que está a menos de 19 dias de sediar a Copa do Mundo. 

Com toda essa bagagem, a jovem faz gosto em desaguar todo seu conhecimento do globo sob o “arroba" checklim, que atualiza com afinco para registrar cada restaurante, loja, monumento e diversidade das dezenas de países que visita com frequência. GPS|Lifetime questionou a bela quanto à terra gelada, e traz o roteiro feito sob medida para aproveitar a Rússia em meio aos gols e pênaltis do mundial de futebol. Skavuska!

 

Antes de entrar no mérito de Moscou, cidade na qual desfrutou de uma temporada durante o ano de 2017, Lim não falha em abordar um assunto primitivo, indispensável para dar início a qualquer outro: a língua. "A língua russa é completamente diferente da latina. A maioria dos russos que conheci não sabiam inglês, o que dificultava muito a comunicação. Por isso, procuramos auxílio de uma guia para nos acompanhar durante a viagem”, conta. Dito isso, é hora de enaltecer a capital soviética. 

"Moscou é uma cidade encantadora, é fácil se apaixonar por cada cantinho. Tendo sido palco de tantas guerras, a cidade respira história. É preciso mergulhar na cultura russa, experimentar comidas típicas, seu famoso e internacional “strogonoff”, a bebida nacional - a vodka, que significa “aguinha” -, suas dancas folclóricas, seus corais de vozes masculinos, o famoso Teatro Bolshoi, seus parques e jardins...

Sem esquecer da simbólica Praça Vermelha, palco do poder da era soviética - de Lenin e Stalin a Brezhnev, passando por Mikhail Gorbachev e chegando à era Putin. Ou dos artistas do mundo clássico da música, como Tchaikovsky, Korsakov, Glinka, Borodin, além de escritores como Pushkin, Tolstoi, Dostaievsky e muitos outros expoentes. A Rússia encanta pela beleza e por sua rica cultura. "As danças kossacas e polovitsianas, todas folclóricas, encantam os turistas, bem como o emblemático Circo de Moscou", se derrete, apaixonada. 

Dentre as visitas que não devem ser ignoradas, a jovem destaca as igrejas católicas ortodoxas de São Basilio, na Praca Vermelha, e o magnificente Kremlin,  "sede do governo russo e uma fortaleza que guarda, dentro das suas muralhas, praças, jardins, igrejas, palácios, armas, fortes, tesouros, além do maior canhão do mundo e diamante já existente”, ensina Isabella. 

Política, arte e religião: da Praça Vermelha ao teatro Bolshoi, passando pela histórica cidadela de Serguiev Possad, na Rússia cada canto é único

O imponente Kremlin, sinônimo de fortaleza em russo, é uma visita indispensável

 

Para os shopaholics que não pretendem deixar a Rússia sem um novo mimo, a universitária recomenda conhecer o GUM, shopping deluxe localizado na Praça Vermelha, recheado de lojas quase régias. Ao lado do Teatro Bolshoi - spot que também não dispensa visita -, situa-se outro santuário das compras, o TSUM, mall munido com as principais marcas da alta moda.

 

Pit stop para boas compras e inesquecíveis experiências culinárias

 

E não há como falar em Rússia sem ressaltar o Lago dos Cisnes, inspiração da peça de ballet de Piotr Tchaikovsky, que, nas terras gélidas, é uma realidade além da ficção. O sítio fica no parque ao redor do monastério. "Lá conseguimos entender de forma intimista como o grande classicista romântico se inspirou nessa peça mundialmente respeitada”, afirma Isa, que também faz questão de redirecionar a atenção a um outro spot da cidade, demasiado contrastante ao jardim de Tchaikovsky: os metrôs moscovitas. "Elas refletem o desejo de Lênin de transformá-las em verdadeiros palácios para o proletariado soviético", reitera.

Subsolo régil: as estações de metrô possuem magnificência real 

 

Para se deliciar com o tempero da culinária russa, Bella recomenda uma série de restaurantes estrelados. Entre eles, o Café Pushkin, o Doktor Zhivago, o Turandot, o Bocconcino, o japonês Nobu, o Bolshoi e o Café Vogue. Mais que beleza e décor inspirados pela era de auge da aristocracia francesa, eles "possuem um toque especial no paladar”. Vale lembrar também do 02 Lounge, na cobertura do Ritz; o Soho Rooms, que se transforma em boate após o badalar da madrugada;  o Tommy D Gastrobar; e o Fantastic White Rabbit. 

Registros de boa gastronomia internacional são postagens frequentes do @checklim