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"Ai Weiwei Raiz": GPS analisa a melhor exposição de 2018

"Ai Weiwei Raiz": GPS analisa a melhor exposição de 2018
collaborated Roberta Pinheiro
photo Reprodução

O artista elege o Brasil para realizar a maior exposição de sua trajetória. Sua obra autobiográfica lhe rendeu repressões do governo chinês, resultando num homem sem lar, mas com liberdade para concretizar vivências

  

Ele carrega o peso de um popstar. Por onde anda, chama a atenção e é reconhecido. Ao contrário de muitos artistas que marcaram a História da Arte, ele tem a oportunidade de desfrutar, em vida, de seu sucesso. Cheios de admiração, jornalistas se aproximam dele e questionam: qual mensagem traz na nova exposição? "Quero trazer outro olhar e novas perspectivas", responde em voz baixa e em poucas palavras o chinês Ai Weiwei. A monumentalidade de suas obras e a força de sua presença são proporcionais ao seu jeito simples e humilde. Nome importante na arte contemporânea e um grande expoente da arte política, ele afirma: “os artistas não precisam se tornar mais políticos; os artistas precisam se tornar mais humanos”.

Ai Weiwei abandonou a pintura por acreditar que não era possível se tornar um artista de sucesso. Estudou cinema, mas o percebe como uma arte privilegiada demais. Praticou arquitetura por achar "natural". Foi a poesia da vida, seu interesse por ela e, principalmente, a sua biografia que esculpiram o artista e ativista social chinês. "É uma atitude, que tem a ver com um modo de ver o mundo e uma forma de se expressar", afirma.
 



A convite de Marcello Dantas, curador e amigo brasileiro, Ai Weiwei veio ao Brasil para interpretar uma nova cultura e realizar novos trabalhos a partir de seu modelo criativo. "O convite não foi para uma refeição cotidiana: foi para um banquete ‘mutuofágico’, em que se come e se é comido pelo outro, em que cada lado devora o outro, seu corpo, sua alma e sua energia", explica Dantas. O resultado: Ai Weiwei Raiz, a maior exposição do artista já realizada, instalada nos oito mil metros quadrados da Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Em dezembro, a mostra celebrou mais de 70 mil visitantes e foi reconhecida, pela revista virtual DesignBoom, como uma das dez melhores exposições do mundo em 2018

Já no Brasil, Ai Weiwei Raiz foi premiada como a melhor exposição internacional pela APCA, a Associação Paulista de Críticos de Artes. Outros destaques do prêmio foram Gilberto Gil e Marcelo D2. Em cartaz na Oca em São Paulo até 20 de janeiro de 2019, a maior mostra da vida do artista segue em 2019 para Belo Horizonte, de 5 de fevereiro a 15 de abril de 2019 e depois viaja para o Rio de Janeiro, de 20 de agosto a 4 de novembro de 2019, ambas no CCBB.



A mostra não tem uma ordem certa ou um percurso a ser seguido. Tampouco é segmentada. "A exposição foi criada para este espaço e respeita a sua natureza, dialoga com ela. A arquitetura aparece como outro elemento e o Ai Weiwei, como arquiteto, abraçou a ideia", comenta o curador. A única exigência do artista foi liberdade. "Ele disse que não faria algo com tutela de alguém", conta o curador. Ao todo, setenta obras de arte pesando 500 toneladas foram encaixadas como peças de um quebra-cabeça na Oca.

Um dos primeiros trabalhos de Ai Weiwei a fisgar Marcello Dantas ocupa um andar inteiro. Sunflower Seeds tem cem milhões de sementes de girassol de porcelana pintadas à mão por 1,6 mil artesãos chineses – a maioria de mulheres – de uma pequena cidade na China. O tapete que se forma inverte a organização social da comunidade, colocando as mulheres no papel de líderes e provedoras de renda. "Ele mobilizou uma comunidade ao fazer com que aquelas pessoas replicassem as sementes. Ele fez do processo artístico um processo transformador", explica Dantas.




Ai Weiwei é um artista que se envolve. Não é um observador da realidade, mas atua sobre ela e concretiza as vivências em suas obras. Não à toa, em 2015, voltou sua atenção para a crise migratória e a situação dos refugiados. Abraçou esse tema como um ativista feroz e o transformou numa plataforma artística. Chegou a instalar um ateliê em Lesbos, na Grécia, para acompanhar de perto a crise. A partir daí nasceram vários trabalhos: desenhos de uma odisseia contemporânea com imagens de guerra, de fuga e de exílio; o filme Human Flow como um poema visual da dramática situação; e um barco inflável que traz homens, mulheres e crianças sem rostos, pessoas que para sobreviver precisaram renunciar a sua identidade, as suas raízes.



Outro destaque é a obra Straight. Pela primeira vez montada na íntegra. São 60 metros e 250 toneladas de barras de metal resgatadas de escolas em Sichuan, na China, onde milhares de crianças foram mortas em um terremoto em 2009. Ai Weiwei recuperou a forma original de cada barra. Além disso, identificou cada uma das crianças que morreu e publicou uma lista com os nomes das vítimas – estampado em uma das salas de vídeo. As autoridades chinesas, contudo, não queriam divulgar e a obsessão de Ai Weiwei pelo ocorrido, o que  resultou em uma de suas prisões.

Por questionar, por se expressar e por mexer em feridas que poucos querem curar, o artista foi preso pelo governo chinês mais de uma vez. Já teve, inclusive, seu passaporte retido. Entretanto, Ai Weiwei nunca se calou. Durante o cárcere, realizou mais de cinquenta exposições sem sua presença. Também reproduziu em mármore as câmeras de segurança colocadas na frente do seu ateliê, e idealizou a instalação S.A.C.R.E.D. Na mostra, uma das salas de vídeo traz as imagens do período de prisão domiciliar. Ao recuperar seu documento, depois de cinco anos, viu a liberdade no exílio e se tornou um cidadão do mundo.



O status em questão ou a ausência de um lugar para chamar de lar nunca representaram novidades para o artista. Filho de um dos maiores poetas da China – Ai Qing –, Ai Weiwei acompanhou de perto as punições sofridas pelo pai, um libertário e membro da Revolução Chinesa, durante o regime de Mao Tsé-Tung. A vida em campos de trabalho na área rural, o exílio e, sobretudo, a queima dos livros, página por página, de Ai Qing para evitar as penas do Exército Vermelho influenciaram diretamente o artista.

A relação com o Brasil e a América Latina, inclusive, começou quando Ai Qing viajou para o Chile no começo dos anos 1950 numa missão cultural e ficou amigo do poeta chileno Pablo Neruda. Da terra tupiniquim, o poeta chinês levou de recordação sementes de dragão. As mesmas que Ai Weiwei resgata em uma das obras expostas.



Mesmo com toda essa bagagem, Ai Weiwei chegou ao Brasil e deixou-se surpreender pelo novo, pelo desconhecido, pelo tropical, pela natureza. Com a consultoria da designer Paula Dib, entrou em contato com comunidades, artesãos, manifestações culturais e recursos regionais e produziu trabalhos inéditos. Madeira, sementes, tecidos, couro e raízes aparecem como materiais de expressão.

O artista e mais 25 chineses, além de uma equipe de brasileiros, ficaram embrenhados na Mata Atlântica para moldar uma centenária raiz do pequi-vinagreiro, espécie típica da região baiana, atualmente em risco de extinção. A partir dela, fez um molde para uma escultura de ferro de 36 metros de altura e mais de 200 toneladas, que foi levada para a China. "Elas têm formatos imagináveis. Ele quebra o DNA original e cria uma escultura. É o casamento entre a subversão do artista, resgatando outras formas", comenta o curador. 



A arte nunca foi a coisa mais importante para Ai Weiwei. A vida é. Dela, o artista e ativista chinês retira seus códigos e linguagens para construir suas obras, verdadeiros poemas visuais. Também a própria vida do chinês, sua raízes, emergem com vigor como arte. Por fim, é na vida, no cotidiano em que está inserido, que Ai Weiwei deixa seu legado, confirmando que o processo artístico por si só não é essencial, mas, sim, o seu papel transformador

Serviço:

Quando: até 20 de janeiro de 2019
Onde: Oca - Parque Ibirapuera – São Paulo – SP
Horário: 
terça-feira a sábado das 11h às 20h (entrada até às 19h)
domingos e feriados das 11h às 19h (entrada até às 18h)
 


Novo amor: Brad Pitt está namorando Charlize Theron, diz jornal

Novo amor: Brad Pitt está namorando Charlize Theron, diz jornal
photo Reprodução

O affair teria começado no Natal

 

Casal perfeito? De acordo com o jornal inglês The Sun, Brad Pitt está namorando a atriz e ex-modelo sul-africana Charlize Theron. O periódico afirma que o relacionamento teve start no Natal, quando os pombinhos foram apresentados por Sean Penn, ex-marido da loira. 

“Eles estão se vendo casualmente há quase um mês. Eles eram amigos há um tempo, ironicamente apresentados por Sean Penn, e as coisas evoluíram”, declarou uma fonte ao jornal.

Se os boatos forem verdadeiros, esse é o primeiro relacionamento público de Pitt desde que ele se divorciou de Angelina Jolie, em setembro de 2016. Pitt e Jolie têm seis herdeiros juntos. Já Charlize tem dois filhos adotados.

Rixa

Angelina e Theron, inclusive, têm uma rixa de longa data. Segundo a imprensa, as duas atrizes não se suportam por questões profissionais. A história que rola solta em Hollywood é de que elas disputam os mesmos papéis há anos. 

Em 2017, por exemplo, Angelina teria sido convidada para fazer A Noiva de Frankenstein e Charlize ficou como a segunda opção, protagonizando o filme caso a morena declina-se. Nos bastidores dos estúdios, o burburinho era de que a ex de Brad Pitt não tinha interesse no longa, mas enrolou o máximo que pôde para dar sua resposta. Isso só para irritar Theron, que aguardava ansiosamente para saber se iria ou não ser chamada.

“O festival de ódio entre essas duas começou há muito tempo e não vai parar”, informou uma fonte ao site Radar. “É como se os diretores quisessem jogar uma contra a outra, balançando um roteiro para as duas e deixando-as a brigar por ele.” Bafão!